Este site não pretende ser um manual completo das anomalias encontradas em moedas brasileiras. Para isto precisaríamos escrever uma verdadeira enciclopédia, pois na numária brasileira, desde a colônia até os dias atuais, nossas moedas foram cunhadas por diferentes processos, desde marteladas, passando por cunhagem em balancim movido por bois ou escravos, máquinas movidas à vapor, até as máquinas eletrônicas modernas atuais.



A medida que os métodos de cunhagem vão se modernizando e aperfeiçoando, diferentes tipos diferentes de erros vão surgindo, e por isto mesmo pretendo me ater, com explicações simplificadas, somente àqueles erros mais comuns e facilmente encontrados nas moedas do Período Republicano (1889 até os dias atuais), com uma ênfase maior a partir do período inicial do Cruzeiro, ou seja, 1942. Explicações mais aprofundadas podem ser obtidas em livros (todos publicados no estrangeiro) e em associação à Sociedades Numismáticas SÉRIAS.

Tenho visto muita confusão, inclusive entre numismatas experientes, acerca da maneira de como nomear e simplesmente identificar as moedas anômalas encontradas. Por não saberem do que se trata, acabam por inventar nomes esdrúxulos ou apelidos que não explicam o que realmente são tais peças.

Por isso, antes de mais nada, é necessário explicar e diferenciar os termos «anomalia» e «variante». Na numismática, são coisas absolutamente diferentes, e muitos numismatas costumam se referir às anomalias pelo nome de variantes, e isto é errado. A definição correta:

ANOMALIAS, ou MOEDAS ANÔMALAS são moedas resultantes de uma falha no processo de fabricação, ou seja, erros de produção, defeitos de fabricação NÃO INTENCIONAIS. Existem de diversos tipos diferentes, com variadas causas, e em diferentes graus, sendo que as anomalias que não afetam o design da moeda de forma significante, são distribuídas normalmente à população, enquanto que anomalias mais importantes que caracterizem sério defeito de fabricação não costuma sair do ambiente da Casa da Moeda em que são cunhadas, sendo então destruídas. No entanto nem sempre o controle de qualidade é suficientemente eficaz, e algumas acabam inadvertidamente por serem distribuídas à população para circular.

VARIANTES são moedas que, sendo do mesmo tipo, e com a mesma era (data), foram produzidas por um cunho ou par de cunhos, reverso e anverso com pequenas alterações INTENCIONAIS em seu design (pequenas correções ou melhorias no desenho). Por exemplo, 2.000 Réis 1863 que existe com algarismos da data grandes ou pequenos, 200 Réis de 1854 a 1867, que existe com “Coroa de Espinhos” e “Coroa com Pérolas”, 5 Centavos 2007, que existe com 12 e com 13 riscos atrás do busto do mártir, etc.

A recolha de moedas com anomalias é um campo especializado dentro do hobby da numismática e que pode ser divertido e gerar bons lucros, desde que se compreenda como ocorrem e suas definições básicas, que são fundamentais na identificação de erros pequenos ou importantes, variedades, e até mesmo de moedas propositalmente alteradas ou simplesmente danificadas pela circulação normal.

As Casas da Moeda de todo o mundo se esforçam para produzir e emitir o melhor produto possível. Existe toda uma série de processos de fabricação e inspeções de controle de qualidade que são realizados na produção de moedas, cédulas, selos, passaportes e demais itens produzidos, o qual elimina qualquer item danificado ou indevidamente produzido.

Moedas cuja produção está finalizada são liberadas para circulação. No entanto, ocorre, em todos os lugares do mundo, de alguma peça defeituosa escapar ao controle de qualidade, e serem lançadas em circulação juntamente com as moedas-padrão. Moedas que não estão nos padrões encontrados em um conjunto emitido podem ser identificadas como sendo um erro de fabricação ou uma variedade (nunca como variante!). Suas definições podem ser um pouco difíceis de compreender se você não entender como funciona o processo de cunhagem de moedas. Caso contrário, eles são muito fáceis, claros, e óbvios.

As atuais moedas brasileiras de circulação são as de PIOR qualidade e com o PIOR material jamais cunhadas em toda a história numismática brasileira. Por isto, erros e falhas sempre serão comuns e facilmente encontrada nos trocos.

Pra se ter uma idéia da “qualidade” das nossas atuais moedas: Os Cruzeiros amarelos de 1942-56 são em Bronze-Alumínio, material altamente reciclável e usado até hoje por artesãos para se fazerem alianças. Os metais utilizados posteriormente a essa emissão foram o Alumínio e o Cupro-Níquel, igualmente recicláveis e de razoável valor. Em seguida, veio o aço inox, que, apesar de valer muito menos, ainda assim é reciclável, embora seja dispendioso, anti-econômico. Já as moedas atuais da segunda família do Real, eletrorrevestidas, quando forem desmonetizadas, não servirão sequer como sucata para reciclagem. Trata-se de um material extremamente podre. Nossos amigos detectoristas que o digam: As encontram nas praias ou enterradas, já totalmente corroídas, algumas não servindo mais para uso.

Assim sendo, moedas anômalas são peças fabricadas de forma inadequada, erros, defeitos ou falhas de produção. Existem de diversos tipos assim como diversas são as suas causas, que vão desde uma chapa de aço mal cortada ou no final, moedas que passam pela máquina de cunhagem e não são batidas adequadamente pelos cunhos, moedas que não foram adequadamente cunhadas, cunhos que racham e quebram, etc.

E por isso mesmo, existem duas grandes categorias de anomalias em moedas: Erros menores e erros importantes. No geral, erros menores são aqueles que, mesmo sendo detectados, é permitida a aprovação pelo controle de qualidade da produção, enquanto que erros importantes não são aprovados pra circulação. Para exemplificar:

Erros menores (e de pouca importância): Rotações de Cunho (“Reverso inclinado”) a menos de 30 graus, Disco incompleto pequeno, cunhagem levemente deslocada, laminações, cunhos rachados, cunhos marcados, empastamentos, cunho rachado, cunho quebrado com menos de 30% do design encoberto, cunho entupido, e falhas de cunho gasto, além de moedas que não recebem o banho de eletrorrevestimento de bronze ou cobre, etc. Todas estas não são erros sérios de cunhagem. Não vale a pena ficar procurando isso, como muitos fazem, é perder tempo. É besteira pagar caro por isso, não é coisa que se valorize e em uma coleção séria deve entrar somente como mera curiosidade.

Procurem erros palpáveis, de envergadura, que não podem ser reproduzidos em casa, e que impressionam até mesmo aqueles leigos em numismática, como p.ex. Rotação de Cunho a 180º (o clássico Reverso Invertido), ou maiores que 30º (Reverso horizontal), Batidas duplas ou múltiplas bastante deslocadas, moedas com cunhagem descentrada a 50% ou mais, disco incompleto grande ou múltiplo cobrindo pelo menos 25% do design, mulas (cunhos trocados), cunhagem incusa, etc. Explicarei sobre cada uma destas anomalias de forma resumida abaixo.

Na dúvida, opte apenas em adquirir as anomalias clássicas e mundialmente reconhecidas, inclusive em catálogos, pois estas sempre tem valorização e procura no mercado.

Tenha sempre em mente:

Na numismática não há espaço para achismos, numismática é ciência e temos sempre que aprender com aqueles que são mais experientes no ramo. Em síntese, anomalias que podem ser minimamente imitadas em casa usando equipamentos rudimentares não devem ser consideradas a não ser como mera curiosidade.

Porque ocorrem anomalias? As maquinas da Casa da Moeda batem 600 a 700 moedas por minuto, dependendo do valor facial. As moedas defeituosas deveriam passar pelo controle de qualidade e serem descartadas, mas… é complicado analisar 600 a 700 moedas por minuto.

Assista ao vídeo abaixo e veja como são fabricadas nossas atuais moedas:

Passemos então a falar um pouco, de forma resumida, sobre as tais anomalias, as mais facilmente encontradas. Para ilustrar este texto, servi-me de peças de meu Gabinete Numismático, e imagens encontradas nas redes sociais e na internet.



CUNHO ENTUPIDO (Clogged Die): Algum pedaço de metal, ou impureza, ou graxa de lubrificação ficou no baixo-relevo do desenho do cunho, e impediu que fosse devidamente cunhado no disco, e o resultado é que uma parte, geralmente pequena, do design, fica com a cunhagem muito fraca ou praticamente inexistente.

A esquerda uma moeda de um real faltando uma das estrelas do cruzeiro do sul, a direita temos a moeda de 25 centavos sem a letra v da palavra centavo.Exemplos: Faltou uma Estrela no Cruzeiro do Sul na moeda de 1 Real, e na de 25 Centavos, faltou o “V” de CentaVos. Não é um erro importante e recebe menos pontos na Classificação da Escala Sheldon do que uma moeda normal.

 

CUNHO DESGASTADO (Poor Strike): O próprio nome também é auto-explicativo, e ocorre pelo desgaste natural do cunho após milhares de batidas, mas a diferença para com o cunho entupido, é que TODO o design da moeda está com desgaste uniforme. São moedas batidas com os cunhos já em seus últimos momentos de utilização (final da vida útil). Não é um erro importante e recebe menos pontos na Classificação da Escala Sheldon do que moedas normais.

A esquerda uma moeda de um real e a direita uma moeda de 10 centavos, as duas moedas apresentam desgaste no desenho, tendo assim partes não visíveis.Exemplos: Moeda 1 Real 2009 flor de cunho (peça de meu Gabinete Numismático particular). Observe a borda do núcleo de aço inox. Na moeda de 10 Centavos 2002 abaixo, Cunho desgastado + cunho rachado na mesma moeda.

 

A esquerda uma moeda de vinte e cinco centavos e a direita uma de cinco centavos, ambas apresentam pequenas erosões resultado de oxidações, pequenos desgastes fortes, marcas de pedaços faltantes.OXIDAÇÃO: As moedas da segunda família do Plano Real são fabricadas em Aço Carbono (material de baixa qualidade, a pior da numária brasileira) com eletrorrevestimento de Cobre (1 e 5 Centavos) ou Bronze-Alumínio Fosfórico (10 e 25 Centavos). O eletrorrevestimento de cobre foi danificado de alguma maneira, expondo o aço de baixo carbono que está por baixo. Isto é oxidação/corrosão do aço de baixo carbono. Trata-se de vandalismo ou reação aos elementos da natureza, ou por algum ácido. Pode surgir pelo mero toque na moeda com mãos suadas ou úmidas, deixando impressões digitais que irão lentamente corroer a moeda. É uma peça irremediavelmente danificada, não recebe classificação por Estado de Conservação, não possui nenhum valor numismático e deve ser descartada. Caso contenha ainda Poder Liberatório, deve ser posta para circular.

 

Imagem de um cunho com uma grande rachadura na lateral.

CUNHO RACHADO: O cunho trincou ou rachou, abrindo uma pequena ranhura. De tanto bater moeda, o cunho sofre a chamada ”fadiga do metal”, e o metal do cunho torna-se frágil e quebradiço. Começa com rachaduras pequenas que vão aumentando até o cunho realmente quebrar e soltar um pedaço. Na hora da cunhagem, se o cunho estiver rachado, vai haver um pequeno espaço por onde o metal do disco vai vazar na hora de ser pressionado.

O que é um ”cunho”? E como ele racha ou até mesmo quebra? CUNHO é a peça que possui o desenho da moeda em relevo negativo (inverso). O mesmo bate no disco em alta pressão de dezenas de toneladas e cunha a moeda, como se fosse um carimbo batendo no papel e deixando sua impressão. O cunho racha ou quebra por conta da fadiga do metal. Peça alguma aguenta receber pancada milhares de vezes seguidamente e uma hora ou outra vai quebrar. O resultado? Ei-lo:

Geralmente apresenta-se em diversas formas nas moedas, parecendo um risco em alto relevo. É menos importante que o cunho quebrado, e portanto deve ser guardado apenas como mera curiosidade.

Imagem de um cunho faltando um bom pedaço na lateral onde altera drasticamente a qualidade da moeda a ser cunhada

 

CUNHO QUEBRADO (Die Break, ou Break “Cud”): O cunho quebrou e soltou um pedaço. Onde o cunho quebrou, o disco de metal não sofreu pressão de cunhagem. Em alguns casos, (como no exemplo, 50 Centavos 2009) não há contra-pressão no outro lado da moeda, e sofre uma pequena depressão (nem sempre ocorre). É um erro de cunhagem interessante, mais importante que o cunho rachado, e merece ser guardado na coleção, desde que cobrindo uma parte grande do design. As empresas certificadoras norte-americanas encapsulam e graduam tais moedas e as vezes indicam sua anomalia específica.

Moeda brasileira onde temos o mapa do brasil e uma parte na lateral da moeda onde não houve batida do cunhoCabe esclarecer: ”Sobra de metal”: Um termo utilizado por leigos e ignorantes no assunto, geralmente aqueles que caíram de para-quedas na numismática recentemente, não são colecionadores e sim apenas meros vendedores que surgiram com a “febre” de moedas das modalidades olímpicas nas redes sociais, e que, infelizmente, tornaram popular o errôneo termo “sobra de metal” por pura ignorância e desconhecimento da causa. Estes tentam descrever o que vêem, e não suas causas. O nome correto, reafirmamos, é CUNHO QUEBRADO. Esta nomenclatura é auto-explicativa e utilizada internacionalmente. Para ser “sobra de metal”, a moeda teria que ter um pedaço a mais, uma ”orelha” de metal além do disco. Com isso a moeda teria que estar mais pesada que as normais (afinal, dizem que tem metal sobrando…), e isto simplesmente não ocorre. Portanto: Esqueça o termo ”sobra de metal”. Não sei quem foi que inventou isso, mas é algo que simplesmente não existe. É uma nomenclatura burra e ignorante.

Moeda de 1 centavo americana onde o cunho estava quebrado, esta dentro de uma capsula de certificação da NGCAcima, uma peça fantástica, encapsulada pela NGC: Moeda de 1 Centavo 1975 D dos Estados Unidos com cunho quebrado, e o pedaço do cunho que soltou, juntos!

 

Moeda brasileira com cerca de 40% da gravura deslocada para a direita.CUNHAGEM DESCENTRADA (Off Center Strike): Chamado comumente no Brasil pelo apelido “Boné” por comerciantes e leigos, pode ocorrer em um ou em ambos lados da moeda. O cunho bateu com o disco não posicionado corretamente na Virola (peça que segura o disco pelas bordas no ato da cunhagem). As cunhagens descentradas podem variar em diversos graus.

Considera-se uma peça boa para coleção aquelas onde no mínimo 5% do design da moeda não fora cunhado no disco. Abaixo disso, é considerado como uma peça regular. É também preferível aquelas peças que ainda apresentem a data visível. É um erro muito importante por ser praticamente impossível reproduzi-lo fora do ambiente da Casa da Moeda, e recebe encapsulamento e graduação pelas empresas graduadoras de moedas. É um dos melhores e mais valorizados erros de cunhagem que o numismata deve buscar para sua coleção.

 

LAMINAÇÃO (Laminations): Resultado de uma moeda cunhada em um disco defeituoso. O disco também pode se tornar defeituoso quando sujeira ou impurezas forçam o disco a rachar ou descascar após a cunhagem. Variam muito em tamanho e gravidade. É comum em moedas de Bronze-Alumínio dos Cruzeiros de 1942-1956.Moeda brasileira onde claramente o disco de metal ao qual a moeda foi batido estava danificado ou quebrado e por isso a fortes marcas transversais de desgaste na moeda



DISCO INCOMPLETO (Incomplete Planchet, ou Clipped Coin): Também chamado no Brasil de “chapa cortada” ou “final de chapa”. Ocorre na fabricação dos discos, e não durante a cunhagem. Durante o processo de fabricação dos discos que serão cunhados como moedas, são inseridas chapas de metal em uma máquina que as golpeia, separando os discos.Chapas para corte dos discos onde serão batidos as moedas

A chapa final, toda furada, é depois revendida para ser utilizada em diversos fins, como cercas, ou derretida para ser transformada em novas chapas. Os discos irão pra máquina de cunhagem de moedas.

As vezes, problemas na alimentação da chapa de metal na máquina de cortar discos ocasiona que algumas peças tenham erros no corte e o resultado são discos faltando metal. Repare que são possíveis três tipos de erros: Pode ocorrer reto (nas bordas da chapa de metal), circular (no meio da chapa) e irregular (no final da chapa).

Exemplo para mostrar como a máquina bate moedas em fim de chapa, onde faltam pedaços nos lados da moedaÉ um erro que pode ser reproduzido em casa com ferramentas de oficina. Por isso mesmo, deve-se examinar muito bem a moeda que possui tal erro. As originais possuem o chamado «Efeito Blakesley».

Moeda brasileira faltando um pequeno pedaço a direita.Nomeado pelo numismata americano que o identificou, o Efeito Blakesley é o mais poderoso identificador de um verdadeiro erro de Disco Incompleto. Durante a cunhagem, o fluxo de metal vai tomar o caminho de menor resistência, e preencher os elementos de design do cunho da moeda. O efeito Blakesley é caracterizado por estrias nas moedas que tem este erro devido ao alívio de pressão que ocorre durante a cunhagem por faltar um pedaço de metal no disco. O fluxo de metal se torna radial, em direção às bordas. Além disso, caracteres do design próximo ao corte da chapa ficam com a cunhagem mais fraca. Procure observar a moeda com lupa, ou imagem de alta resolução. Se não contiver o Efeito Blakesley, fuja.

 

CUNHO MARCADO (Die Clash): Chamado no Brasil, de forma ignorante, por leigos, de “cunho vazado”, “data vazada”, “cunho chupado” (sic!), “cunho umbigado” (sic!), “globo triplo”, dentre outros termos igualmente estranhos e absurdos. Ocorre quando os cunhos de anverso e reverso batem um no outro, sem haver um disco de metal entre os mesmos, e ambos os cunhos ficam danificados e marcados com elementos do design um do outro, em negativo, e em seguida cunham moedas. Como resultado, em alguns casos, parte do design do anverso fica gravado no reverso da moeda, (ou vice-versa), como na moeda 5 Centavos abaixo, ou então a marca das bordas do cunho.A esquerda uma moeda de 50 centavos e a direita uma moeda de 5 centavos, ambas com marcas extras feitas pelo cunho defeituoso.

Sobre a “variante” (no caso, anomalia/defeito de cunho marcado) que chamam especificamente de “Globo Triplo” em um certo pasquim que diz ser um “catálogo nacional de moedas”, e também especificamente na moeda de 10 Centavos 2005, irei redigir um artigo exclusivo em breve.

 

DISCO EM BRANCO (Un-Struck Blank): Também chamado de “disco liso”, nada mais é do que um disco de metal para cunhagem de moedas que, por algum motivo, não entrou na Virola e não foi cunhado. Pode ter passado direto pela máquina de cunhagem, ou sequer entrou na máquina. Pode inclusive ser encontrado em sachês ou rolos de moedas. Não possui alto valor, porém as empresas graduadoras as encapsulam. Estas peças devem ser acondicionadas na coleção acompanhadas de uma pequena ficha indicando para qual moeda seria cunhada.disco liso onde não chegou a ser batido a moeda dentro de uma capsula de certificação da PCGS

 

FALHA NO ELETRORREVESTIMENTO (Unplated Planchet): Erro de fabricação muito comum nas moedas da Segunda Família do Plano Real e ocorre após o disco de Aço Carbono ter sido cortado da chapa, que em seguida recebe um eletrorrevestimento (galvanização) de Cobre ou Bronze-Alumínio Fosfórico, sempre antes da cunhagem.

Duas moedas de 10 centavos, a esquerda esta na cor original, a da direita já esta com o eletrorrevestimento e por isso é douradaAlguns discos acabam por ficar sem o eletrorrevestimento de forma parcial ou até mesmo total. Não é um erro sério pois pode ser reproduzido fora do ambiente da Casa da Moeda, bastando pra isso dar um banho de Níquel na moeda pra que a mesma fique prateada, ou remover o eletrorrevestimento com ácido ou eletrólise, e por isto mesmo, não alcançam grande valorização. Boas peças colecionáveis são sempre Flor de Cunho, e devem sempre conter o brilho original de cunhagem, que é dificilmente reproduzido por outra forma, e são encontradas e retiradas direto dos sachês e postas na coleção. Não deve nunca ser tocado com a mão nua, sob pena de oxidação e perda do brilho.

O Aço Carbono nu é um material que se oxida rapidamente se exposto aos elementos e à atmosfera, e a moeda deve ser armazenada em cápsulas estanques (que não entrem ar) ou holders autoadesivos. Recomenda-se enfaticamente que seja aplicada uma camada de Cera Renaissance Wax na peça a fim de criar uma fina película que evite a oxidação. Nunca se deve colocar peças assim em holders de agrafar!

Estas são as anomalias mais comuns encontráveis. Com o tempo irei falar sobre cada uma delas com mais profundidade, e sobre outras que não mencionei.

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Rubens Bulad

Graduado em História com mestrado em História da Arte pela UFG. Ex-Presidente do Clube Filatélico de Mato Grosso - CLUFIMAT, de Cuiabá-MT e Secretário-Geral do CECOF - Clube Filatélico-Esperantista de Correspondência e Colecionismo, de Goiânia-GO. Filatelista desde 1994, colecionando selos postais de todo o mundo, e Numismata desde 2012, colecionando moedas do Brasil e da Ucrânia. Historiador, Pesquisador e Tradutor, atualmente membro da American Numismatic Society (ANS).

15 comentários

jose luiz hofmam · 24 de março de 2018 às 11:01

obrigado por dividir seu conhecimento com nos leigos,uma sugestao,voce poderia ser mais humilde ,nao precisa xingar as pessoas de burros ou ignorantes,obrigado

    André Luiz Padilha · 24 de março de 2018 às 19:48

    Boa noite José, peço desculpas pelo palavreado do Rubens se isso lhe ofendeu.
    Acredito que ele não foi direcionado a ninguém e nem pretendia ofender mesmo alguém, mas peço-lhe desculpa novamente, nossa intenção é só que todos ampliem seus conhecimentos numismáticos, mas é claro que precisamos fazer isso com sobriedade e educação.
    Volte sempre!

Emerson Magalhães dos Santos · 27 de junho de 2018 às 10:18

Achei recentemente uma caixinha de moedas que tinha na infância e notei que as moedas de alumínio de 2 cruzeiros, dos anos 60, “incharam”, com algumas soltando “placas” e pó. Isso é normal nas moedas dessa época?

josias barbosa de araujo · 28 de agosto de 2018 às 11:51

Boa tarde, na verdade eu gostaria de uma ajuda sobre uma moeda 500 reis 1913,porem tenho uma que é diferente
depois da data tem um numero parece ser o numero zero não sei que seria ,pode ser um erro e se for não vi ainda igual.
se puder me ajudar agradeço
Deus abençoe.

Marco G Silva · 14 de setembro de 2018 às 16:37

Tenho várias moedas com inclinação, é considerado uma anomalia, acredito que sim senão essa casa da moeda é uma porcaria, vou trabalhar lá, porque fazem tudo mal feito.
Aguardo resposta, Obrigado.

    André Luiz Padilha · 15 de setembro de 2018 às 13:08

    Olá Marcos, Boa tarde!

    Sim, qualquer inclinação é considerada uma anomalia, a única diferença é que será o grau de inclinação, esse se maior ou menor for, que vai determinar o preço da moeda no mercado colecionista.

    Mas, não fique chateado com a Casa da Moeda, entenda uma coisa, o maquinário que temos aqui no Brasil, produz cerca de 700 moedas por minuto (em média), o menor desalinhamento que aconteça neste maquinário, se não for percebido dentro do prazo de 1h, produzirá uma média de 42.000 moedas defeituosas, até por isso alguns erros são bem mais raros que os outros, uma vez que um erro mais severo irá travar a máquina e parar a produção.

    Então, temos esse “pró” que é a grande quantidade de moedas produzidas em um curto intervalo de tempo e o “contra” é que qualquer erro pequeno ganhará proporções bem grandes, mas acredite, hoje a casa da moeda tem um processo de qualidade muito mais rigoroso que no passado, a tendencia é que esses erros diminuam bastante.

Eduardo Vasconcelos · 24 de outubro de 2018 às 12:51

Uma leitura muito grata!

Realmente, é muito mais comum o uso de “apelidos” para as anomalias listadas do que o dos termos de ampla aceitação internacional apresentados pelo autor. O emprego de termos e descrições precisos é fundamental em qualquer tipo de prática séria.

Entretanto, assim como o leitor que comentou acima, também faço uma crítica ao tom um pouco rompante em alguns trechos. Textos ricos como este não precisam de tons de escárnio.

Obrigado e parabéns pelo excelente trabalho de difusão, numismaticos.com.br!

    André Luiz Padilha · 24 de outubro de 2018 às 13:54

    Boa tarde, Eduardo!

    Concordo plenamente com você, digamos que eu tenha uma maneira bem mais cordial de escrever os textos aqui do site, contudo, temos um compromisso com a verdade e por isso dificilmente mudaremos os textos enviados por nossos colaboradores. Mas como disse, concordo plenamente, não há nenhuma necessidade de entrar nesse tom no texto, mas, infelizmente, é o modo que esse autor escreve.

    Obrigado e volte sempre que precisar!

rubens · 29 de outubro de 2018 às 15:14

Adorei o texto e acho que não foi grosseiro ou mal educado com ninguém.
O que entendi é que existe numismatas sómente interessados em comercializar seus catálogos que, quando postos à venda, já estão ultrapassados em 2(dois) anos, ajudando os compradores por Kg. ou comerciantes que almejam grandes lucros na compra de moedas, revendendo-as com mais de 1000%
de lucro.
Sr. André possuo uma moeda considerada anomala, posso mandar uma foto para sua análise, muito obrigado.

Alexandre · 26 de novembro de 2018 às 01:38

Pela definição de variante, a moeda de 25 centavos do real de 2018 pode ser uma variante em relação aos anos anteriores. As estrelas do cruzeiro do Sul estão maiores e as pontas da estrela do brasão, os triângulos estão aplainados, diferentemente dos anos anteriores que apresentam um formato abaulado.

    André Luiz Padilha · 26 de novembro de 2018 às 10:53

    Sim, isso mesmo. Se eu não estou enganado temos variantes nas moedas de 10 centavos e 5 centavos em 2017, fizeram algumas pequenas melhorias no cunho.

Helô · 29 de dezembro de 2018 às 12:42

olá… tenho alguns exemplares aqui das moedas de 0,01 centavo de 1994 q acredito apresentarem cunho marcado…pois é possível ver uma inscrição no anverso se não estou enganda, logo acima da efigie… q aparentemente é a mara do ano de 1994….o q me diz? De acordo com a opinião de nosso autor…é um item colecionável, ou apenas uma peça que serve apenas como “mera curiosidade”? Obrigado… achei o texto muito bom…

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