O Polvo é uma moeda pouco conhecida em uma dita “Numismática Popular”, por suas diversas qualidades dentre o mundo animal, o polvo muitas das vezes é selecionado como símbolo de criatividade, inteligência e flexibilidade. Também, por sua forte característica de mudar de cor, representa o misticismo e o sobrenatural. No antigo mundo, ele era o inimigo máximo dos navegantes. Na cultura havaiana, ele é Kanaloa – o deus criador. Temos quatro representações deste animal no mundo antigo, vamos conhecer:

 

Macedônia, Dikaia

A cidade macedônica de Dikaia era uma colônia de Eretrian localizada no golfo de Thermaic, atualmente não possui nem dois mil habitantes. Sua circulação é datada entre 450 a 425 a.C., e não temos muitas informações sobre ela. No anverso temos a parte da frente de um touro, geralmente com uma forma triangular acima, no reverso podemos ver um polvo dentro de um quadrado. Possui cerca de 0,29g de prata e seu valor de mercado aqui no Brasil, em média, pode ser vendido entre R$500,00 à R$3.000,00, contudo, esse valor poderá subir um pouco dependendo do estado de conservação. Moedas como essa são extremamente raras já em seus piores estados, imaginemos agora se é encontrado em um estado de conservação alto.

Sicília

Um dos pratos culinários típicos do local e com uma forte presença em sua costa, o polvo é bem comum na região da Sicília, até por isso temos várias moedas cunhadas com representações de um polvo no local.

Em Siracusa, entre os anos de 460 a 450 a.C., temos uma moeda com a efigie de Aretusa olhando para a direita, no reverso temos um polvo de sete braços, com destaque a leve rugosidade que a moeda possui. Entre 466 e 405 a.C., uma moeda de Siracusa foi cunhada com o rosto de Aretusa olhando para a direita, com uma diadema de perolas na cabeça, a frente temos a inscrição “ΣΥΡΑ”, que significa “Syra”, no reverso temos um polvo de oito braços gravado, desta vez com braços maiores e curvados e cabeça é levemente maior também, mesmo com um método de cunhagem primitivo essa moeda é rica em detalhes. No ano de 389 a.C. temos a cunhagem de uma outra moeda, mantendo um pouco do padrão da anterior, mas desta vez, Aretusa esta olhando para a esquerda e o polvo desta vez possui oito braços.



Outras três moeda foram cunhadas entre 390 e 317 a.C., sendo duas delas com uma mulher de cabelos ao vento retratada no anverso, acreditamos que sejam apenas retratações diferentes de Aretusa, mas essa informação não é confirmada por nenhum pesquisador,  e outra com a cabeça de Athenas usando um capacete de coríntio. Seus valores de mercado podem ultrapassar a casa dos R$5.000,00

Bruttium, Kroton

Apesar de ser localizada na Itália, em certo período foi habitado por uma colônia grega, o que explica suas várias características similares as cidades da Magna Grécia. Era descrita como uma fortaleza forte, situada em uma colina com três picos, onde ali o Oráculo teria dado a profecia a Alexandre, Rei de Epiro. Entre 525 e 425 a.C. temos a cunhagem de uma moeda com um belo polvo de 6 braços cunhado no reverso, no anverso temos um pilar de três pernas com uma garça ao lado. O único registro de venda encontrado desta moeda foi no valor de 190 euros, algo próximo a R$ 700,00.

 

Erétria

Erétria foi uma cidade da Grécia Antiga, situada na costa ocidental da ilha de Eubeia. A primeira referência a Erétria está na Ilíada 2.537 de Homero, que a inclui entre as cidades que enviaram barcos para a guerra de Troia. No século VIII a.C., Erétria e sua vizinha e rival, Cálcis, foram ambas poderosas e prósperas cidades comerciais. Os erétrios controlavam as ilhas de Andro, Tino e Céos, no mar Egeu, e também tinham terras na Beócia, na Grécia continental.

Após ter sido saqueada e incendiada, Erétria foi reconstruída e anexada na Confederação de Delos, que posteriormente constituiria o Império Ateniense. Conhecido como Obol de Eubeia, seu valor mínimo de mercado é de R$1000,00, podendo facilmente ultrapassar e muito essa marca simplesmente por ser extremamente raro.




André Luiz Padilha

Graduado em direito com especialidade em meios alternativos de soluções de conflito e atualmente é estudante de História. Colecionador de moedas desde 1997 e numismata desde 2011. É um ativo divulgador da numismática nacional publicando diversos artigos e estudos por dezenas de plataformas, presta serviços como avaliador e consultor em pelo menos 9 países, também é o fundador da Numismática Castro, do CNERJ e do canal Café e Numismática. É sócio da American Numismatic Association (ANA)

3 comentários

Elcimar · 23 de abril de 2018 às 16:07

Boa tarde ,tenho interesse em avaliar uma moeda de prata supostamente desse periodo ,de prata com um polvo de um lado e no verso uma efigie.

Luiz Montes · 12 de dezembro de 2018 às 19:47

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