Cart

Imagem de: worldofcoins.eu

Hoje vamos falar de uma moeda cobiçada por muitos e também possuída por muitos, afinal, são 34 mil exemplares cunhados, não dá pra chamar de raro uma moeda com essa tiragem, mas vamos falar desse ponto depois.



Vamos começar então apresentado a moeda, foi cunhada em 1932 pra comemorar o IV centenário da colonização do Brasil e pertence a uma série conhecida como Vicentina. Ao todo são 6 moedas, sendo elas todas de Réis, nos valores de 100, 200, 400, 500, 1000 e 2000 Réis. Vamos começar falando do Reverso, ele é o menor de nossos problemas. Algumas inscrições são percebidas aqui, como estão em português fica fácil para todos, trata-se apenas do motivo de cunhagem da moeda, ou seja, IV centenário da colonização do Brasil 1532-1932, bem em baixo do ano ainda temos a marca do gravador. O “CB”, anteriormente descrito, é a marca do gravador Calmon Barreto de Sá Carvalho.

Ao centro temos a efígie de João Ramalho, conhecido como “o pai dos paulistas”. João Ramalho Maldonado nasceu em 1493, em Portugal, e morreu aos 87 anos aqui no Brasil, mas precisamente em Piratininga, São Paulo. Patriarca dos Bandeirantes, fundador da dinastia dos mamelucos (filhos de índios com portugueses), Ramalho ajudou muito na aproximação pacífica entre índios e portugueses nos primeiros anos do Brasil. Sua chegada aqui não é documentada. São várias as hipóteses de como João Ramalho teria chegado no sudeste brasileiro. Uma delas é como um náufrago, possivelmente até da armada de Pedro Alvares Cabral; outra hipótese é que Ramalho teria sido exilado por algum crime cometido em Vouzela; e a terceira hipótese é que ele teria sido voluntário para colonizar o Brasil após sua descoberta, para conquistar as terras no local ainda desconhecido. Também não se sabe quando ele chegou, podendo ser em algum período entre 1508 e 1511 ou em 1515. Teria sido o primeiro português a habitar o Brasil meridional.

Vamos agora ao anverso, o motivo da criação desse texto, do lado esquerdo temos a inscrição “500” e do lado direito temos a inscrição “Réis”, referentes ao valor de circulação da moeda. No fundo temos um tracejado na horizontal, e ao centro o que temos? Um “coletinho”? Não, aquilo não é, nem nunca será um colete e não sei de onde esse nome veio.

Ao centro da moeda temos um Gibão, naquela época o Gibão era o equivalente ao paletó que usamos hoje, normalmente era acolchoado, podendo ou não ter mangas, abotoado à frente e com uma “basque” sobre o calção. As mangas eram presas ao corpo da peça por atacadores e para disfarçar havia uma espécie de adorno almofadado preso sobre essa união. Sobre o gibão usavam a “jacket”, ou uma túnica aberta à frente.

Vamos mudar o nome da moeda para “gibãozinho” então? Não né, ficaria mais feio ainda, o nome já pegou e não acredito que vá “sair de moda”, mas acho importante que saibam que aquilo não é um colete.

Um outro ponto muito importante sobre essa moeda é o seu valor de mercado, prefiro não adentrar muito nesse mérito, ele pode ofender alguns comerciantes e essa não é minha intenção, mas é aquilo né, tem quem venda e tem quem compre, não há nenhum motivo para eu me meter na negociação alheia. Mas, vou dar uma dica, essa moeda foi cunhada em alumínio e bronze, escurece com uma facilidade tremenda, então procure ver como estão os detalhes em relevo, o bigode ou a barba de João Ramalho, por exemplo, eles entregarão se a moeda foi limpa, polida ou mesmo recebeu algum tipo de “banho” para recuperar a cor de cunhagem. Lembre-se, não estou falando que todos fazem isso, mas já vi alguns “oportunistas” tentando vender peças dessa forma, então, o alerta é válido.

Uma outra coisa muito importante sobre essa moeda é a enorme quantidade de falsificações que ela vem ganhando nos últimos 5 anos, com a popularidade e a valorização desta peça, os falsificadores chineses não tardaram a lançar no mercado uma copia de tal peça, geralmente ela pode ser notada sem a necessidade de muita técnica, mas ainda assim pode enganar colecionadores inexperientes, por isso precisamos ficar alertas e denunciar! Fiquem atentos também a venda do conjunto completo da série Vicentina, já vi por duas vezes uma tentativa de venda do estojo onde a 500 Réis, a peça mais cobiçada, era uma falsificação.

Vamos falar das outras moedas dessa série em uma outra oportunidade, espero que tenham aprendido mais um pouquinho sobre Numismática com esse texto, uma boa negociação para vocês!




André Luiz Padilha

Graduado em direito com especialidade em meios alternativos de soluções de conflito e atualmente é estudante de História. Colecionador de moedas desde 1997 e numismata desde 2011. É um ativo divulgador da numismática nacional publicando diversos artigos e estudos por dezenas de plataformas, presta serviços como avaliador e consultor em pelo menos 9 países, também é o fundador da Numismática Castro, do CNERJ e do canal Café e Numismática. É sócio da American Numismatic Association (ANA)

0 comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.