1 Søsling de Christian IV, Dinamarca – 1602

Os números romanos possuem fortes ligações com a numismática, seja para representar valores monetários, a geração de um Rei ou Aristocrata ou mesmo só para definir o ano em que a mesma foi cunhada. Recentemente, em nossa página no Facebook, fiz uma brincadeira sobre a representação dos números romanos nas moedas do Rei Luis XIV e que gerou ótimos debates em um grupo no Facebook, na minha opinião o único grupo que estuda a numismática com seriedade.

“Algum de vocês poderia me fazer um favor? Ótimo, então avisem ao Rei Luís XIV da França, que 14 em algarismos romanos é XIV e não XIIII.” Uma brincadeira para apresentar a moeda de 1/12 ecu é de 1659 da França, na coluna “Moeda do Dia“, no nosso Instagram.



Existem hoje aproximadamente 150 moedas onde 14 esta representado como XIIII e não XIV, todas de Luis XIIII da França. Afinal, não é muito normal na história do mundo algum monarca chegar a décima quarta geração mantendo o mesmo nome. Ainda temos algumas outras variações, sendo elas para representar o número 4, apresentado como IIII e não IV e também para representar o número 9, sendo apresentado como VIIII e não IX.

Em um primeiro momento é comum acreditarmos se tratar de um erro, contudo esta representação está perfeitamente correta.

A História define os números romanos em três partes:

O numeral Romano-Romano foi o utilizado na Roma antiga, provavelmente de origem etrusca (povos antecedentes aos romanos), nesse método existia um padrão e uma base todo voltado para os números 5 e 10, contudo, como a maioria da população não sabia ler ou escrever, diversas formas foram usadas para representar os números, uma vez que desenhar ou rabiscar era muito mais fáceis. A Collumna Rostrata é uma das poucas relíquias da época que apresentam inscrições com o sistema romano-romano;

Com a queda do Império Romano e o inicio do período conhecido como Renascimento Científico no século XII, Carlos Magno ressuscita a escrita e as atividades matemáticas, do pouco conhecimento que sobreviveu as diversas invasões que Roma sofreu, o sistema romano e as técnicas de cálculo, como o ábaco, foram revistas, atualizadas e utilizadas durante muito tempo, surgindo assim o Sistema Romano-Medieval;

Por fim, com o nascimento da imprensa no século XV, ouve a necessidade da padronização dos números romanos para uma utilização e ensino mas simples, assim, muitas representações que só eram usadas na idade média foram retiradas, as representações dos números ficaram menores e assim, surgiu o que Sistema Romano-Moderno, que é o que utilizamos até hoje.

4 Pfennig da cidade de Coesfeld, 1763

Não só na numismática, mas vários relógios antigos apresentam o número 4 grafado na forma arcaica IIII, mesmo o sistema romano tendo se modificado. Alguns relatos explicam esse fato por razões estéticas, mas principalmente religiosas. Antigamente, as letras I e V representavam J e U, respectivamente. Júpiter era o deus dos povos antigos, então, para seu nome não ser pronunciado em vão, pois a representação era IVPITER, evitava-se o uso dessas duas letras (I e V) no relógio. Portanto, era preferível a escrita IIII.

Assim, podemos concluir não se tratar de um erro, é apenas uma forma arcaica de representação dos números romanos e está perfeitamente correta.

E então, que moeda você conhece onde ainda é utilizado o sistema romano arcaico?




André Luiz Padilha

Graduado em direito com especialidade em meios alternativos de soluções de conflito e atualmente é estudante de História. Colecionador de moedas desde 1997 e numismata desde 2011. É um ativo divulgador da numismática nacional publicando diversos artigos e estudos por dezenas de plataformas, presta serviços como avaliador e consultor em pelo menos 9 países, também é o fundador da Numismática Castro, do CNERJ e do canal Café e Numismática. É sócio da American Numismatic Association (ANA)

1 comentário

Umbelina · 30 de julho de 2018 às 05:21

Olá excelente blog!

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