A Escala de graduação de moedas Sheldon é uma escala que avalia o estado de conservação da moeda com base em uma classificação de 70 pontos. Criada em 1949 por William Herbert Sheldon, sob o nome de “Escala Quantitativa para condição”, como forma de classificar os centavos americanos. Hoje ela é usada por grandes empresas numismatas, como a NGC e a PCGS, e até hoje é ensinada na American Numismatic Association, onde ela foi usada pela primeira vez.



Em 1970 a ANA entendeu que a primaria escala Sheldon encontrava-se desatualizada e por isso fez ajustes, adições, exclusões e algumas modificações para chegarmos ao modelo que temos hoje, onde podemos utiliza-la para qualquer tipo de moeda.

Considerada a melhor escala de graduação para avaliação de moedas do mundo, a Escala Sheldon já passou da hora de começar a ser efetivamente utilizada aqui no Brasil. Isso porque a numismática brasileira vem sofrendo uma degradação de conhecimento severa nos últimos 10 anos que só é percebida por olhares mais experientes.

A grande expansão que a numismática obteve com a série de moedas olímpicas trouxe para nosso mercado diversos novos personagens que só querem ganhar dinheiro, não estou aqui para ser contra isso, sou a favor do livre mercado e concordo que, uma vez que o nosso mercado tenha um número maior de prestadores de serviço, melhor será o serviços que prestamos.

Contudo o número de golpes no nosso meio cresceu e muito, lembrando que grande partes das transações numismáticas são feitas através do Facebook, sem nenhuma garantia sobre elas, uma vez que tal transação é de pessoa física para pessoa física, não sendo respeitado assim diversos deveres estabelecidos no código de defesa do consumidor.

Ainda, sabemos que a numismática é uma das formas de colecionismo mais cultas que existem, e por isso há grande necessidade de estudos diários, o que não é hábito de grande parte dos novos colecionadores, banalizou-se o termo raro, onde na maioria das vezes deveriam ser usados os termos “escassa”, ou simplesmente “moeda difícil de encontrar”, mas ora, não é estranho quando um vendedor anuncia uma moeda rara e ele tem 15 exemplares da mesma a venda?

Raro meus colegas é o termo empregado para moeda “O Índio” exibida no museu histórico nacional, onde somente esse exemplar é conhecido no mundo, rara é a Peça da Coroação, uma das moedas mais difíceis de se encontrar e valiosas da numisma brasileira, isso é raro, uma moeda de 5 centavos de 1990 é somente uma moeda com baixa tiragem, nem escassa ela pode ser considerada hoje, uma vez que todos possuem essa moeda a venda.



Por isso peço a colaboração dos colegas numismatas para que valorizemos nossa ciência injetando novos conhecimentos e estudos, peço que os novos colecionadores se apeguem a termos básicos presentes em nossa área e que cobrem mais técnicas e responsabilidade de seus vendedores.

Voltamos então ao tema principal dessa matéria quando dizemos que grande parte desses novos vendedores não sabem diferenciar uma moeda FC de SOB, não sabem a diferença de uma moeda BELA a MBC, muitos acreditam que só existem a classificação FC, MBC e REG, na verdade, essa escala de graduação portuguesa possui 8 modalidades avaliativas, muitos nem sabem de sua existência, apenas “entendem” o básico para vender o que possuem em casa, e ainda nem falaremos das moedas que são erroneamente limpas.

Por isso, a Numismática Castro, por seus idealizadores e amigos, começará uma série de estudos sobre a Escala Sheldon, teremos o pesquisador numismata Fábio Herpich, do site Ilha Coleções como mentor e escritor destes textos, ao qual faremos de tudo para lançar um por dia na próxima semana.

Pedimos que você novo colecionador tenha compromisso com essa tão bela ciência que agora faz parte e estude, para que você possa cobrar uma boa qualidade de moedas de seus vendedores e principalmente que não sejam enganados com moedas grosseiramente limpas e mal conservadas. Pedimos também caro colega vendedor, você colecionador mais experiente, que tenha paciência com os novatos, que abrace um ou outro e o ajude a ter mais conhecimento, para que assim nossa tão amada numismática cresça, mas cresça com qualidade.

Abriremos nessa postagem os estudos sobre a Escala Sheldon, onde atualizaremos aqui uma especie de índice para que você possa acompanhar ele na ordem certa depois de totalmente publicado, mas que ela sirva também como uma carta de desabafo, de um homem apaixonado por seu trabalho, que coleciona e estuda o tema desde os 6 anos de idade e que não quer ver sua tão amada numismática se degradando.




André Luiz Padilha

Graduado em direito com especialidade em meios alternativos de soluções de conflito e atualmente é estudante de História. Colecionador de moedas desde 1997 e numismata desde 2011. É um ativo divulgador da numismática nacional publicando diversos artigos e estudos por dezenas de plataformas, presta serviços como avaliador e consultor em pelo menos 9 países, também é o fundador da Numismática Castro, do CNERJ e do canal Café e Numismática. É sócio da American Numismatic Association (ANA)

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