Quem aqui conhece essa expressão “ouro dos tolos”? Ouro dos tolos é um apelido para um mineral chamado “Pirita”, que se parece muito com uma pepita de ouro, é bastante encontrado nos Estados Unidos e foi muito usado, na época das grandes corridas pelo ouro no século XIX, por pessoas que gostavam de vender ouro por um preço bem camarada. Recentemente, vi um caso bem parecido rondando nosso mercado numismático e essa matéria tem mais cunho informativo que acadêmico.

Estamos vendo com frequência uma moeda de ouro sendo vendida a preços bem baixos no mercado livre e por alguns vendedores em eventos ou em redes sociais, preços esses que chegam até R$50,00, isso mesmo tem gente acreditando que uma moeda de ouro seria vendida a esse preço. Trata-se de uma moeda de ouro de 1865 dita do “Império Mexicano”, onde vemos a efigie do Imperador Maximiliano nela, bom pra começar essa moeda nem existe.

Há diversos fatores que podemos apresentar onde falsificação e moeda original se divergem. Primeiro, o padrão de qualidade da época é bastante diferente da moeda apresentada, não somente na qualidade da imagem gravada, mas em todo o resto. Os valores são extremamente desapropriados para uma moeda dessa época, fora que essa moeda é extremamente rara, logo não teríamos tantas aparecendo. E por último, mas não menos importante, a moeda original só foi cunhada em um ano, em 1866 e não em 1865 como a moeda é apresentada, assim não seria nem considerada uma falsificação, mas sim um item irreal e sem nenhum valor histórico, artístico e numismático.



Fizemos essa pequena comparação entre as duas moedas, observe bem e você verá que realmente são moedas totalmente diferentes.

Trata-se apenas de um token e não realmente de uma moeda, tal peça é considerada apenas um brinde, foi fabricado para ser vendido ou distribuído em hotéis. Essa moeda ficou bastante conhecida nos Estados Unidos justamente por ela ser usada da mesma forma que esta sendo usada no Brasil, para enganar as pessoas. A verdade é que lá elas não valem nem U$5,00.

Moeda original em ouro ao qual o token foi baseado.

Tentarei responder as perguntas que você está se fazendo nesse momento porque sei que não é nada legal jogar dinheiro fora.

1. Essa moeda vale alguma coisa? Não é uma moeda, é um token, para uma coleção numismática não tem valor nenhum, mas se você gostar de colecionar brindes pode guardar.

2. Então posso processar o vendedor que me passou isso? Bom, depende de como ele te vendeu esse token, se ele falou que era uma moeda de 1865, circulada e com valor numismático, pode sim, pois isso seria propaganda enganosa. Se foi vendida somente como “moedinha de ouro” você dançou.

3. Será que quem me vendeu também não foi enganado? Olhe para as diferenças apresentadas e me diga você mesmo, são diferenças muito grandes para uma simples confusão, ou o vendedor é muito inexperiente no ramo ou sim, ele sabia.

4. O que fazer então? Nada cara, nem ouro de verdade isso é, nenhuma peça banhada tem valor de verdade, da nem pra trocar por aqueles pintinhos coloridos que vendiam nas ruas antigamente.

5. Mas minha moeda é de ouro de verdade, ainda é falsa? Parabéns então, você não perdeu tanto dinheiro, ainda tem um token de ouro, mas moeda não será, não tem história, não houve circulação. Teria o mesmo valor de uma moeda de ouro com a efigie do meu cachorro Odin.

A Numismática é uma ciência que vem crescendo muito e com o crescimento do mercado novos golpes surgiram, por isso meus amigos, procurem sempre um especialista, há pessoas que vendem até mesmo no Facebook e mercado livre que tem um enorme peso no nosso mercado, verdadeiros estudiosos e colaboradores, como o Edgar Serrato, Marcelo Germinário e Walcar Pereira, pessoas que atuam a muito tempo no mercado e até que me ensinaram muita coisa, existe outros é claro e até muitos confiáveis, mas faça o básico, pergunte à um amigo mais experiente, ou faça uma pesquisa de mercado, mas não jogue dinheiro fora!

E lembre-se a Numismática Castro estará sempre aqui, vendendo ou mesmo avaliando sua coleção, para que você nunca seja enganado e o que o nome da numismática não seja denegrido por uns e outros. Valorizar a numismática é valorizar a história e o legado que o passado deixou, nunca esqueça-se disso.




André Luiz Padilha

Graduado em direito com especialidade em meios alternativos de soluções de conflito e atualmente é estudante de História. Colecionador de moedas desde 1997 e numismata desde 2011. É um ativo divulgador da numismática nacional publicando diversos artigos e estudos por dezenas de plataformas, presta serviços como avaliador e consultor em pelo menos 9 países, também é o fundador da Numismática Castro, do CNERJ e do canal Café e Numismática. É sócio da American Numismatic Association (ANA)

2 comentários

Mateus · 27 de outubro de 2017 às 15:52

Oi Gente, estou fazendo uma visitinha por aqui.
Gostei bastante do site, vou ver se acompanho toda semana suas postagens
Gosto muito desse tipo de conteúdo um Abraço 🙂

cazare clabucet · 9 de março de 2019 às 07:31

Good blog post. I definitely love this website.

Stick with it!

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