A Matriz de cunho duplicada, em inglês Doubled Die ou Hub Doubled, ocorre durante o processo de fabricação dos cunhos, e não durante a cunhagem das moedas.

A Matriz de Cunho Duplicada ocorre durante o processo de criação do cunho macho (mestre) pelo Pantógrafo, máquina que reduz o design a partir de uma matriz de Gesso para um cilindro de aço do tamanho exato da moeda que será cunhada, produzindo assim o cunho macho (mestre).



O erro ocorre quando o Pantógrafo esculpe elementos duplicados no cunho macho (mestre).

Por consequência, os elementos duplicados do design se encontram deslocados, porém todos se veem de alguma forma simétricos e/ou alinhados com relação ao elemento original. Além disso, os elementos duplicados possuem a mesma “altura” do relevo do elemento normal.

Como resultado, todos os cunhos fêmea (que irão cunhar as moedas) produzidos por este cunho macho (mestre) defeituoso, serão igualmente produzidos com elementos do design duplicados em negativo, e a duplicação aparecerá em positivo em todas as moedas produzidas por esses cunhos defeituosos.

No passado, os erros de Matriz de Cunho Duplicada eram muito mais dramáticos devido ao processo de fabricação dos cunhos serem realizados por um Pantógrafo mais rudimentar. Embora a utilização moderna de computadores no processo de design e fabricação das Casas da Moeda tenham reduzido muito o número de erros e anomalias de cunhos, a possibilidade sempre irá existir.

É muito raro que uma duplicação nos elementos de design de um cunho macho (mestre) passem desapercebidos nas Casas da Moeda de todo o mundo. Mas, ao que nos parece, atualmente, na Casa da Moeda do Brasil tal controle de qualidade não é tão eficiente quanto pensamos que deveria ser, haja vista a enorme quantidade de moedas com Matriz de Cunho Duplicados encontrados, de diversos anos e denominações, ou simplesmente fazem a vista grossa quando detectados.

Tais moedas não deveriam existir, nem mesmo seus cunhos defeituosos com elementos duplicados deveriam existir. Há uma cadeia de várias pessoas, desde o operador do Pantógrafo, passando pelo funcionário responsável pela criação dos cunhos-fêmea a partir do cunho macho, passando pelos funcionários responsáveis na inserção dos cunhos fêmea de anverso e reverso nas máquinas, até o pessoal do controle de qualidade, que poderiam ter percebido o defeito no design do cunho macho, dos cunhos fêmea, e até nas moedas já cunhadas. Por isto mesmo, são anomalias importantes, e sempre possuem uma boa valorização.

Seguem agora exemplos dessa anomalia em moedas americanas e brasileiras.

Primeiro, a «Matriz de Cunho Duplicado» mais famosa dos Estados Unidos, a «1955 Doubled Die Obverse Lincoln Cent»:

A história desta anomalia americana é bem conhecida. À época, a Philadelphia Mint, a Casa da Moeda da Filadélfia, estava executando dois turnos de 12 horas cada, pra ajudar a aliviar a falta de moedas de 1 Cent. Pelo menos sete pessoas deveriam ter inspecionado o cunho macho (mestre) antes do mesmo ter sido utilizado para produção dos cunhos fêmea que cunhariam as moedas, mas isto claramente não ocorreu. Em vez disso, os cunhos fêmea foram postos em serviço entre 0h e 8h da manhã. O problema não foi descoberto até que cerca de 20.000 a 24.000 centavos já haviam sido cunhados e misturados com milhões de centavos cunhados naquela noite. O Chefe da Philadelphia Mint, Sydney C. Engel, decidiu deixar passar as moedas, ao invés de ter que derreter cerca de 10 milhões de centavos para contê-las.

Na numismática brasileira, ocorrem ainda, anomalias de Matriz de Cunho Duplicado nas atuais moedas circulantes do Plano Real 2ª Família, em diversas datas e denominações:

Tenho conhecimento das seguintes denominações e datas em meu banco de dados:

R$ 0,01: 2000
R$ 0,05: 2002, 2005 (“Brasil” em duplicidade, bastante deslocado, imagem logo acima)
R$ 0,10: 1998, 2000, 2001, 2008
R$ 0,25: 2001 (existem duas, uma no anverso e outra no reverso)
R$ 0,50: 1998
R$ 1,00: Nenhuma peça conhecida

(Solicito a gentileza de me informarem sobre novas datas, com imagens em alta resolução, pra que a tabela acima seja sempre atualizada).




Rubens Bulad

Graduado em História com mestrado em História da Arte pela UFG. Ex-Presidente do Clube Filatélico de Mato Grosso - CLUFIMAT, de Cuiabá-MT e Secretário-Geral do CECOF - Clube Filatélico-Esperantista de Correspondência e Colecionismo, de Goiânia-GO. Filatelista desde 1994, colecionando selos postais de todo o mundo, e Numismata desde 2012, colecionando moedas do Brasil e da Ucrânia. Historiador, Pesquisador e Tradutor, atualmente membro da American Numismatic Society (ANS).

2 comentários

Kletson Filip · 26 de janeiro de 2019 às 11:44

Na de 1 real existe a moeda da bandeira, onde a palavra real tem o L em duplicidade.

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