Festa do Senhor Bom Jesus do Bonfim

Sobre os Selos

Esta emissão é composta por dois selos. O primeiro mostra duas crianças de costas, correndo em direção à sua comunidade, com a Basílica Senhor do Bonfim no fundo. Sua silhueta é destacada pelas fitinhas coloridas que são um dos elementos mais conhecidos e populares dessa festividade. O segundo selo mostra uma ilustração de Jesus Cristo crucificado, no estilo da imagem original do Senhor do Bonfim que se encontra dentro do Santuário. O desenho está em perspectiva de quem está vendo de baixo. A cor azul adorna todo o selo, bem como as fitinhas coloridas, em sua base. Foram utilizadas técnicas mistas de ilustração manual e digital.



Festa do Senhor Bom Jesus do Bonfim

A festa é o que há de mais importante na vida.
Resumem todas as buscas humanas e simboliza a vitória sobre as penúrias e as dificuldades do dia-a-dia.
Sintetiza as sensibilidades, trajetórias, vivências e visões de fé.
A festa significa viver a liberdade.
(IRARRÁZAVAL, Diego. A festa na vida. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 59-73.)

A Festa ao Senhor Bom Jesus do Bonfim em Salvador, capital do estado da Bahia é uma celebração tradicional da igreja católica que ocorre desde o século XVIII. A sua origem remonta à Idade Média, na Península Ibérica e na devoção ao Senhor Bom Jesus ou cristo Crucificado. Integra o calendário litúrgico e o ciclo de Festas de Largo de Salvador e é realizada anualmente, sem interrupção, desde 1745. A Festa do Senhor Bom Jesus do Bonfim – inscrita no Livro de Registro das Celebrações do IPHAN, em 2013 -articula duas matrizes religiosas distintas, a católica e afro-brasileira, e incorpora diversas expressões da cultura e da vida social soteropolitano. Está profundamente enraizada no cotidiano dos habitantes de Salvador, e possui grande poder de mobilização social.
A devoção ao Cristo Crucificado, ou Senhor do Bonfim (Bom-Fim, na grafia original), popularizou-se por sua associação aos moribundos, desejosos de um “bom fim”, ou uma “boa morte”. Trata-se de uma devoção que remonta ao final do período medieval, e encontrou em Portugal uma boa acolhida no período das navegações, devido às incertezas sobre o destino dos navegantes durantes as travessias. O culto ao Senhor do Bonfim em Salvador começou com a chegada do Capitão português Theodósio Rodrigues de Faria (ou Theodósio Ruiz de Faria), em 1740, que trouxe de Lisboa uma imagem, semelhante a que se venerava em Setúbal, sua cidade natal, que ficou guardada na Igreja da Penha, na Cidade Baixa. Juntamente com outros portugueses fundou uma Irmandade, chamada Devoção de Nosso Senhor do Bonfim, em 1745. No ano seguinte, foi iniciada a construção da igreja, que ficou pronta em 1754, quando a imagem foi definitivamente instalada em seu altar-mor, juntamente com a imagem de Nossa Senhora da Guia. Vale aqui destacar que a irmandade do Senhor do Bonfim é a responsável pelo culto ao Senhor do Bonfim antes mesmo da construção da igreja, e teve papel fundamental ao longo desses anos na propagação desse culto.
O local onde se encontra a Igreja do Bonfim também apresenta características singulares. A razão da sua escolha se deve à beleza do sítio e à sua disposição topográfica, uma colina, ou Alto de Monte Serrat. Após a construção da Igreja, a colina passou a ser chamada de Alto do Bonfim, Colina do Bonfim ou Colina Sagrada. As primeiras casas de romeiros começaram a ser construídas logo após o início das obras da igreja, que sofreu várias remodelações até a forma atual, finalizada com a colocação dos azulejos portugueses na fachada, em 1873. Em seu interior destacam-se os trabalhos do pintor baiano Antônio Joaquim Franco Velasco, realizados em 1818.
Todos os anos durante o mês de janeiro, a celebração reúne ritos e representações religiosas, além de manifestações profanas e de conteúdo cultural. Inicia-se um dia após a Epifania, ou o dia dos Santos Reis, que conclui o ciclo natalino, e encerra-se no segundo domingo depois da Epifania – o Dia do Senhor do Bonfim. É dividida em diferentes momentos marcantes de sua constituição: as novenas, o cortejo, a Lavagem das escadarias e do adro da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, os Ternos de Reis e a Missa Campal.
As novenas iniciam-se um dia após o Dia de Reis e terminam no sábado, véspera do Dia do Senhor do Bonfim, sendo um elemento litúrgico presente em largo período da Festa. O cortejo é um percurso de oito quilômetros que se forma na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, na Cidade Baixa e culmina com a Lavagem das escadarias e do adro da Igreja, que ocorre na quinta-feira anterior ao Domingo do Senhor do Bonfim. A Lavagem é realizada por baianas e filhas de santo como missão familiar e religiosa. Portando suas “quartinhas” com flores e água de cheiro, elas reverenciam o orixá Oxalá e abençoam os devotos. O cortejo e a Lavagem são os pontos de destaque da festa.
Após o encerramento da última novena, no sábado à noite, em frente à Igreja do Bonfim, acontece a apresentação dos Ternos de Reis. No Dia do Senhor do Bonfim, na manhã do segundo domingo após a Epifania, é realizada a Missa Solene, na igreja do Bonfim, representando o ápice dos eventos litúrgicos e o encerramento da parte religiosa desta celebração. Ainda há a Procissão do Três Pedidos, finalizando os eventos festivos, com a presença da imagem peregrina do Senhor do Bonfim. Esta última foi incorporada, em 2009, ao conjunto ritualístico da Festa e ocorre no domingo de encerramento.
E assim a Festa continua, com maior ou menor simbolismo, com maior ou menor referência às suas origens. Continua, com todas as suas mazelas e contradições, ainda hoje assumindo o protagonismo de maior festa popular do ciclo do verão baiano, depois do Carnaval.
Francisco José Pitanga Bastos
Juiz da Devoção – Irmandade Senhor do Bonfim

Detalhes Técnicos
Edital nº 1
Arte: Ateliê 15
Processo de Impressão: Ofsete
Papel: cuchê gomado
Folha com 16 selos
Valor facial: 1º Porte da Carta
Tiragem: 160.000 selos (80.000 de cada)
Área de desenho: 25 x 35mm
Dimensão do selo: 30 x 40mm
Picotagem: 12 x 11,5
Data de emissão: 14/1/2022
Local de lançamento: Salvador/BA
Impressão: Casa da Moeda do Brasil

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Texto originalmente publicado no site da Sociedade Philatelica Paulista – sppaulista.com.br

André Luiz Padilha

Graduado em direito com especialidade em meios alternativos de soluções de conflito e atualmente é estudante de História. Colecionador de moedas desde 1997 e numismata desde 2011. É um ativo divulgador da numismática nacional publicando diversos artigos e estudos por dezenas de plataformas, presta serviços como avaliador e consultor em pelo menos 9 países, também é o fundador da Numismática Castro, do CNERJ e do canal Café e Numismática. É sócio da American Numismatic Association (ANA)

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