Aos que me acompanham desde o começo, não “seguidores” propriamente dito, mas os amigos de uma criança de 16 anos que tinha acabado de conhecer a palavra numismática e queria estudar, talvez lembrarão que meu primeiro blog numismático foi tão somente para mostrar minha pequena colecção, que naquela época era somente algumas moedas herdadas somadas a outras juntadas pelo curto tempo de vida. Com pouco conhecimento, não sabia então diferenciar quais eram os verdadeiros tesouros de minha colecção, até então, todas eram meus tesouros, sinceramente, independente do valor de mercado de minhas peças, todas continuam sendo meus tesouros.



Com as pequenas e grandes evoluções que nosso site ganhou com o passar dos anos, essa vontade primitiva de compartilhar com os amigos meus “tesouros particulares” foi deixado para segundo plano, não que essa paixão tenha acabo, só o tempo que foi se encurtando mesmo. Por isso, resolvi, agora com mais conhecimento, voltar a falar de minhas moedas, o conhecimento que tenho delas poderão ajudar vocês a identificar e conhecer melhor os seus próprios tesouros.

Como sei que ficaria horas e horas escolhendo uma bendita para começar, resolvi usar da sorte para simplesmente pegar qualquer uma que viesse e dar inicio a apresentação da colecção particular deste que vos fala, vamos começar então pela minha moeda de 500 Réis cunhada em 1913 na Alemanha.

Trata-se de uma moeda que causa um pouco de confusão entre colecionadores e por isso é uma ótima peça para começarmos, ocorre que essa em questão foi cunhada em duas casas distintas, sendo em 1912 no Rio de Janeiro, na CMB e em 1913 em Berlim pela empresa Victor Uslaender & Cia, representante do Deutsche Bank, segundo Caffarelli.

Por isso, mesmo sendo comum dizer que são variações de uma mesma moeda, muitos não o consideram assim simplesmente pelo fato da mesma ter sido cunhada por casas extremamente distintas, não compartilhando nem ao menos o mesmo território.

Sabemos que o exemplar cunhado no Rio de Janeiro teve uma tiragem total na casa dos 220mil, contudo a informação sobre a cunhagem na Alemanha não foi localizada até a publicação deste presente texto, mas sabemos que tal emissão custou a soma de 12 mil contos de réis. Podemos afirmar que em nenhum dos dois casos estaríamos lidando com uma moeda rara, contudo, é possível também afirmar que encontrar uma peça como está em um estado de conservação acima de soberbo não é uma tarefa tão simples, mas novamente, nada de raridade por aqui.

Cunhada em prata .900, possui 22mm de diâmetro e 1,7mm de espessura, pesa 5g, possui orientação de moeda (↑↓) e seu bordo é serrilhado, como podemos ver nas fotos aqui presentes.

Aqui usaremos as palavras do professor Eugênio Caffarelli, que em seu livro “As moedas do Brasil” descreve o anverso e reverso de tal peça da seguinte forma:

ANVERSO: No centro, dentro de um círculo de vinte e uma estrelas soltas, uma figura, representando a República, de perfil para a direita com barrete frígio cingindo parte do pescoço e ornamentado com uma palma de ouro. Acompanha a orla a legenda REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL (com Z). No exergo, a data.

REVERSO: No centro, um pouco acima as Armas da República, embaixo destas o valor em duas linhas paralelas horizontais. À esquerda, do meio da moeda para cima, acompanha a orla o lema ORDEM E PROGRESSO. No exergo, dois ramos sobrepostos subindo no sentido oblíquo, acompanhando a orla, à esquerda, de café com frutos, e à direita, de tabaco com flores; em baixo dos dois ramos, a letra monetária A (Berlim).

Poderíamos, claro, descrever tal moeda com palavras mais simples, mas não seria palavras tão precisas quanto a do mestre, além do que, trata-se de um ótimo exemplo, para que colecionadores mais novos (em idade de vida e não de coleção) se acostumem com o palavreado costumeiramente usado nos livros e catálogos numismáticos mais antigos.

Os preços praticados para tal peça variam de R$15,00 à R$150,00, oscilando claro de acordo com seu estado de conservação, isso observando pelo preço médio que encontramos no Brasil, moeda “repatriadas” podem sair por bem mais que isso. Salientamos para que todos fiquem atentos quanto a riscos uniformes presentes nestas moedas, são claros sinais de limpeza que podem “gastar” sua gravura e assim desvalorizar muito a peça.

Esperamos que gostem dessa “publicação piloto” para mostrar nossa colecção particular, gostaríamos de ouvir a opinião de todos e que também apontem se alguma informação importante deixou de ser dita, numismática é um estudo colaborativo, sempre foi assim.




André Luiz Padilha

Graduado em direito com especialidade em meios alternativos de soluções de conflito e atualmente é estudante de História. Colecionador de moedas desde 1997 e numismata desde 2011. É um ativo divulgador da numismática nacional publicando diversos artigos e estudos por dezenas de plataformas, presta serviços como avaliador e consultor em pelo menos 9 países, também é o fundador da Numismática Castro, do CNERJ e do canal Café e Numismática. É sócio da American Numismatic Association (ANA)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.