Estudo comparativo de peças de 2 Reais espanholas de prata circuladas na economia estancieira do Rio Grande do Sul no período do século XVIII e XIX, quando da existência da província de São Pedro (parte portuguesa) e província da banda oriental do rio da prata – Vice-reino do Rio da Prata ( parte espanhola em litígio).

Esse estudo contou com a participação e colaboração do numismata gaúcho de Montenegro, Jairo Adriano Ramos de Oliveira que encontrou e reuniu 70 peças de ‘pesetas’ no interior do estado. As terras de Montenegro estavam entre as primeiras a serem desbravadas por portugueses e espanhóis após o tratado de Madri de 1750 ( o tratado baseou-se no chamado Mapa das Cortes, privilegiando a utilização de rios e montanhas para demarcação dos limites entre as duas potencias coloniais. O diploma consagrou o princípio do direito privado romano do Uti Possi Detis.



O rio Caí foi importante rota para mercadores espanhóis que subiam o rio da Prata e portugueses, vindos da Lagoa dos Patos pelo rio Jacuí. Os desbravadores faziam incursões terrestres, com o objetivo de explorar e dominar terras, além de procurar índios para usá-los como mão de obra na mineração e engenhos de açúcar nas capitanias do Norte. É nessa atmosfera de grandes fazendas (estâncias) de gado, de reduções jesuíticas, de preagem de índios, de comércio de contrabando entre os portos de Santa Catarina e o porto de Buenos Aires que as pesetas circularam como dinheiro não oficial, porém corrente no comércio e nos negócios. É também nesse momento que surge a expressão gaúcha “pilas” para denominar a moeda espanhola, que possuía dois pilares em seu anverso, ladeando o escudo de armas de Castela e Leão, Esses dois pilares, também chamados de pilas em castelhano da época, acabaram por se tornarem sinônimos de 1 peseta de 2 reais, então todo negócio efetuado em pilas, era feito com a multiplicação da soma de 2 reais. Exemplo: um negócio envolvendo uma boiada de 10 cabeças, valeria 800 pilas, já que cada cabeça valia 20 peças de 8 reais, ou seja 1600 reais espanhóis.

Estudo enviado pelo colaborador Sérgio Giraldi.




André Luiz Padilha

Graduado em direito com especialidade em meios alternativos de soluções de conflito e atualmente é estudante de História. Colecionador de moedas desde 1997 e numismata desde 2011. É um ativo divulgador da numismática nacional publicando diversos artigos e estudos por dezenas de plataformas, presta serviços como avaliador e consultor em pelo menos 9 países, também é o fundador da Numismática Castro, do CNERJ e do canal Café e Numismática. É sócio da American Numismatic Association (ANA)

2 comentários

Carlos Medeiros · 15 de outubro de 2018 às 11:02

Bastante interessante a hipótese do termo “pila” se originar das moedas espanholas circulantes no RS, vez que seu reverso trazia a imagem de dois pilares. Sendo muito conhecida a versão das contribuições ao político Raul Pilla nos anos 1930, perguntaria se o autor encontrou textos ou informações, de época anterior ao político, contendo o termo pila.

    André Luiz Padilha · 15 de outubro de 2018 às 23:41

    Boa noite Carlos!

    Esse texto foi enviado no segundo ano do Portal Numismático, tem 6 anos já.
    Faz um bom tempo que não tenho contato com o amigo Sérgio, mas caso queira perguntar para ele, você pode tentar pelo e-mail: moedasdeminas@hotmail.com
    Mas como disse, já tem tempo que não falo com ele, não sei se ele ainda responde a esse e-mail.
    Um abraço e volte sempre!

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