Conservamos com o autor Edil Gomes sobre o lançamento do livro “1825P: moedas para salvar a Província do Grão-Pará” e convidamos vocês a conhecerem um pouco sobre esse magnifico trabalho que será lançado no dia 19 de Setembro na SNB.



Edil Gomes / Rogério Bertapeli

Parece confuso a um primeiro momento o título, afinal, do que se trata o livro. Seria um romance? Foi uma das primeiras perguntas que me fizeram.

Então vamos lá, o livro é um estudo sobre moedas cunhadas na província do Grão-Pará em 1825, baseado primeiramente em um artigo de Rogério Bertapeli publicado no Boletim da SNP, que poderiam ser classificado como uma moeda de necessidade, um “notgeld brasileiro”.

Para entender a pesquisa dividi o livro em três partes:

1) Primeira parte: Como estava a província do Grão-Pará em período pós independência do Brasil, as dificuldades no comércio local pela falta de moedas para circulação e também a distância em relação a capital da corte que era no Rio de Janeiro, o Grão Pará foi a última província a aderir a independência. Apresentamos vários documentos de diversas fontes, alguns inéditos e também jornais da época, onde é apresentado a intenção, autorização e a confirmação de que se cunhou moedas no Pará em 1825, o que torna algo contraditório já que não existia ou tinha-se conhecimento de uma Casa da Moeda no Pará.

2) Segunda parte: Tendo estudado esses documentos, passamos a pesquisar qual poderia ser essa moeda e chegamos em uma que mais se encaixaria, as moedas de 80 e 960 réis de 1825P, então transcrevemos todos os relatos em que são citadas, desde Julius Meili, Augusto Souza Lobo, Kurt Prober, Saturnino de Pádua e outros, onde tecem comentários sobre possíveis origens dessas moedas.

3) Terceira parte: Apresentamos um desmembramento de todas as moedas de 80 réis e 960 réis, tanto publicados, como de moedas até então não identificadas de 1825 P. Com esses exemplares, identificamos quatro variantes de 80 réis, interessante ressaltar que algumas dessas moedas estavam classificadas em coleções como moedas de São Paulo e três variantes de 960 réis. Todas essas moedas são recunhadas.

Dentre os vários documentos citados no livro, deixamos um dos parecerem em relação a um pedido de se cunhar moeda no Pará:

“Passe provisão participando ter e expedido ordem à Junta da Fazenda do Maranhão para ser subsidiadas por ela: que não pode ter lugar a remessa de dinheiro desta Capital nas circunstâncias atuais do seu Tesouro onerado de gravíssimas, e extraordinárias despesas para a defesa do Império, e que se aprova a medida indicada de cunhar moeda de prata e cobre com o cunho do Império, sendo urgente esta providência para bem da Província.
Rio de Janeiro, 4 de Junho de 1824. Fonseca Passada Portaria em 11 de junho, remetida em 15.”

Posso garantir que você vai se surpreender com esse livro, que se baseia em documentos oficiais, atas dos governos do Grão Pará, jornais de época e principalmente por moedas que são elementos usamos em nossa história.

O livro será lançado dia 19 de setembro as 18 horas na sede da SNB (Rua 24 de Maio, número 247, segundo andar, Centro de São Paulo – SP) e pode ser reservado pelo e-mail: snb@snb.org.br.




André Luiz Padilha

Graduado em direito com especialidade em meios alternativos de soluções de conflito e atualmente é estudante de História. Colecionador de moedas desde 1997 e numismata desde 2011. É um ativo divulgador da numismática nacional publicando diversos artigos e estudos por dezenas de plataformas, presta serviços como avaliador e consultor em pelo menos 9 países, também é o fundador da Numismática Castro, do CNERJ e do canal Café e Numismática. É sócio da American Numismatic Association (ANA)

2 comentários

Isandro · 17 de setembro de 2018 às 11:56

Bendito sejam os homens que se valendo de sabedoria se dispõem a partilhar história e conhecimento.parabens numismática Castro.

    André Luiz Padilha · 18 de setembro de 2018 às 08:40

    Grato Isandro, são pequenas atitudes como essa que nos motivam a sempre continuar.

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