Estava aqui pensando em como deveria começar esse texto, diferente dos outros, este será um pouco mais extenso.

Ora Padilha, e porque a dúvida sobre como começar um texto? Bom, escrevo regularmente desde os meus dezesseis anos quando comecei a cursar direito e na verdade, isso nunca foi um problema. Filho e irmão de professores, as palavras sempre vieram a mim com certa facilidade, e aqui esse é o problema.

Não escrever por escrever é claro, mas como falar de um assunto tão delicado e que vem ganhando certo destaque nos últimos dias. Aqui o zelo nas palavras será reforçado em respeito às pessoas que estão se ofendendo com a questão da autenticidade da moeda de 1 Real Bifacial, e no final, será em respeito a eles e também, as pessoas que investiram dinheiro nessa peça, que precisamos tratar esse assunto com o máximo de clareza possível. E por que falar em zelo, simplesmente é complicado manter a calma nas palavras depois de ler tantos absurdos na internet e principalmente depois de ser tão ofendido, como eu e poucos amigos foram, por defender a verdade.

Este artigo será dividido em vários tópicos e foi escrito de forma colaborativa, citarei alguns nomes no decorrer dos tópicos, mas muitos deverão ser preservados, comecei a pesquisar sobre esse assunto no meado de 2017 e por isso há muito para falar, vamos começar:



I – Como as entidades competentes responderam ao tema?

Seria extremamente lógico correr diretamente para as entidades competentes para resolver tal questão, para assim não sucumbirmos ao achismo que impera nas redes sociais, mas a quem eu deveria perguntar? Entramos em contato então com o Banco Central do Brasil, Casa da Moeda do Brasil e até com o Clube da Medalha do Brasil, mas a quem realmente caberia responder.

Não obtivemos resposta do Clube da Medalha e nem do Banco Central, mas a Casa da Moeda respondeu com a seguinte carta:

Prezado Sr. André Luiz,

Antes que se inicie uma produção continua são adotados procedimentos de preparação os quais visam o cumprimento das exigências da especificação do produto (dimensional, profundidade de gravado etc). Entre as atividades que processo produtivo concentra encontra-se a montagem dos cunhos, o ajuste da força de cunhagem, a cunhagem preliminar de amostras bem como a subsequente verificação da formação dos gravados de anverso e reverso nessas amostras, o que permite ao operador de maneira direta constatar a qualidade e a conformidade dos relevos bem como a correta montagem de todo o sistema.

Há de se mencionar que além dos controles normatizados da qualidade, desde 2015 contamos com um avançado cofre automatizado de cunhos, o que inviabiliza a ocorrência citada em sua mensagem.

Já houve manifestação externa semelhante, também referente a era de 2008, da possível cunhagem de uma moeda de 50-5 centavos que, em teoria, poderia ser decorrente da congruência de uma série de fatores (proximidade dimensional de discos, troca de cunhos etc), entretanto os artefatos não foram encontrados internamente.

Não há como afirmar que tal peça foi gerada em nossa linha de produção, continua, de grande escala, sendo recomendável não desconsiderar o seu forjamento externo.

Por fim, ressalta-se que a avaliação está restrita a imagem e para sua maior efetividade seria necessário estar de posse da moeda para a realização de análise junto ao laboratório.

Colocamo-nos a sua disposição para maiores esclarecimentos.

Cordialmente

Hamilton da Cunha Carnaval

Gerente

Seção de Engenharia de Moedas e Medalhas – SEPM

Concordamos que é um pouco evasiva para afirmar expressamente sobre a autenticidade desta peça, mas de qualquer sorte, agradecemos imensamente a colaboração do Sr. Hamilton e de todo pessoal da central de Ouvidoria da Casa da Moeda. Contudo, se lida atentamente, ele exclui a possibilidade dessa moeda ser autêntica.

Primeiro ele nos mostra sobre o “procedimento de preparação”, só nesse caso já poderíamos entender sobre a falsidade desta peça, uma vez que, conforme as regras do controle de qualidade, algumas peças são cunhadas inicialmente para fazer uma conferencia da qualidade, o que descartaria um erro crasso como esse.

É claro, haverá os que citarão a moeda de 50 centavos com o cunho da moeda de 5 centavos como exemplo, mas esse argumento cai por terra quando comparados a quantidade de moedas emitidas, afinal, se essa moeda de 1 Real Bifacial fosse um erro da Casa da Moeda deveríamos ter uma quantidade enorme de moedas defeituosas em circulação.

As outras informações que são apresentadas nesta carta, ao qual possui protocolo de número 20170001732 enviada a Casa da Moeda no ano passado, são posterior a suposta emissão da moeda aqui em questão, sendo ela de 2008, logo não há mais o que se comentar. Contudo devemos apenas grifar a parte que o Gerente de Engenharia da Casa da Moeda do Brasil sugere a cunhagem externa de tal peça.

Acho que não há necessidade de falarmos agora sobre a “qualidade” das falsificações que chegam do mercado chinês em sites como AliExpress e Mercado Livre, ou mesmo de citarmos a fábrica de moedas que foi encontrada em São Paulo no final do ano passado. Acreditando ou não em qualquer informação dada até aqui, saiba de uma coisa, existe sim a possibilidade de uma fabricação “caseira” de praticamente qualquer tipo de moeda, basta conhecimento e material especializado e não são raros os casos de falsificações na história da numismática a nível mundial.

II – Sobre a analise técnica da moeda de 1 Real Bifacial.

Rubens Bulad é colaborador de nosso site e é um numismata e filatelista reconhecido em nosso meio, principalmente pela qualidade dos artigos postados no seu blog, o Caderno Numismático, não imaginando que ele fosse comprar para “desvendar” esse mistério, um exemplar foi vendido a ele e assim pudemos estudar de verdade um exemplar.

Após analisar com cuidado a peça o mesmo constatou que a moeda é falsa, sei que é muito fácil falar sem mostrar os argumentos necessários para tal conclusão, mas aproveitaremos para falar aqui de erros apresentados em TODAS as moedas que foram mostradas na internet por pessoas que foram enganados e compraram tal peça, novamente, como tivemos pessoas ofendidas com a afirmação de falsidade, não iremos usar nenhuma das fotos enviadas, uma vez que não temos a autorização expressa dos proprietários, vamos listar os erros comuns.

1 – Disco central imperfeito: Uma pequena fenda pode ser observada entre o disco central e o anel exterior, se colocarmos uma linha reta nessa fenda, poderemos ver que no final da linha haverá pequenas marcas de pressão e leves amassados, simples prova que o disco central foi removido, bom espero que saibam que o cunho central de uma moeda de 1 Real pode ser retirado se aplicado pressão no ponto certo.

2 – Bordo defeituoso: Acho que todo numismata que estuda de verdade sabe que o bordo da moeda é o primeiro passo do processo “final” de cunhagem, uma vez que ele é feito na moeda quando ela ainda é um disco liso, até por isso não temos um padrão na posição das inscrições e bordas em nossas moedas, o mesmo acontece com a moeda de 50 centavos. Se olharmos com atenção essa moeda sempre haverá pequenas marcas, algumas com amassados leves e outras até com pequenas marcas de corte.

Muitos são os defeitos encontrados no bordo, contudo, apesar de sempre existir o defeito, ele poderá não ser regular. Tivemos uma moeda em que o bordo havia sido lixado, outra moeda podíamos ver a marca de corte encoberta com lixamentos e banho, do que acreditamos ser latão, para encobrir as marcas. Outras apresentam pequenas fendas, como se “a tampa da moeda estivesse abrindo”.

3 – Ângulos incorretos: Esse é um dos erros que menos foram apontados nas redes sociais, mas com um simples programa de edição de imagem poderemos adicionar uma régua ao lado da moeda e verificarmos que em sua maioria os ângulos da moeda estão levemente tortos, resultados de uma espessura irregular, uma vez que no momento da fraude alguns pedaços da moeda são milimetricamente menores que outros. O que também acarretará em um escurecimento não uniforme quando tirado fotos da lateral.

4 – Peso incorreto: Não temos registro sobre variações de espessura na moeda de 1 real, o que não seria admitido moedas com pesagem diferentes no estado flor de cunho, ou seja, sem nenhum tipo de desgaste de uso, como a maioria dessas moedas se apresentam, a diferença na pesagem pode ser resultado do erro de número 3.

5 – Desalinhamento: É possível notar um leve desalinhamento das barras paralelas, grafismo marajoara, ao comparar o núcleo com o anel externo. Esse não é um erro fácil de perceber, mas caso você entenda um pouco sobre programas de edição de imagens, você poderá constatar esse erro se sobrepor uma moeda bifacial com uma moeda normal, é bem pequeno, mas este erro inexiste em nossa numismática, uma vez que para isso acontecer o cunho todo deveria ter sido feito dessa forma, e há bifaciais que não apresentam esse erro.

Esses são os “erros” que são visíveis e podem ser observados, contudo essas moedas precisariam nos responder outras perguntas no mínimo estranhas, que serão esclarecidas a seguir.

III – Do Estado de Conservação das Bifaciais.

Curioso esse caso do estado de conservação, na minha opinião somente isso era necessário para explicar todo o caso da autenticidade da moeda.

Aconselho que cada um se faça a seguinte pergunta, “como uma moeda com 10 anos de circulação ainda é Flor de Cunho?”, isso porque os aparecimentos súbitos da moeda bifacial são bem recentes não havendo nenhum registro sobre ela com mais de três anos, ou seja, na melhor das hipóteses a primeira foi encontrada em 2016, com já com 8 anos de circulação, como essas moedas ainda estão no seu melhor estado?

Todos sabem que essa moeda de 1 Real brasileira é cunhada no pior material possível, para “baratear o custo”, é extremamente comum encontrar moedas como essa com sinais fortes de degradação com somente 1 ano de circulação, amassados e marcas de oxidação são extremamente comuns.

Numismatas mais rigorosos diriam que nenhuma moeda brasileira atual poderia ser considerada flor de cunho, simplesmente porque o simples atrito com outras moedas nos conhecidos “Sachês” já daria algumas marcas de desgaste nessa moeda, como riscos, coisa essa que não há na maioria das bifaciais. Salvo, as emissões comemorativas e as moedas em blisters.

As primeiras bifaciais mostram sinais claros de adulteração, por isso podemos dizer que são moedas feitas por hábeis artesãos usando duas moedas de 1 real de 2008, as moedas mais recentes já são fabricadas assim, a única explicação plausível para o estado de conservação que a mesmas se apresentam.

Vocês sabiam que todas as histórias ouvidas sobre o aparecimento dessas moedas são imprecisas e vagas como “encontrei no troco do pão”, ora, quem participa de ao menos um grupo no Facebook sobre numismática sabe que pessoas desinformadas buscam a todo momento informações sobre possíveis “raridades” encontradas em seus bolsos, erros simples ou defeitos causados pelo uso que os mesmo se confundem achando que são raridades, como então ninguém nunca achou uma moeda como essa nos últimos 10 anos, como todos que encontraram essas moedas são vendedores numismatas ou próximos, que feliz coincidência da vida não é mesmo? Claro que não!

Lembrando que, basicamente, as moedas em sua maioria vieram de um mesmo feliz vendedor, rapaz de sorte esse.



IV – Os Ilustres desconhecidos numismatas

É claro que histórias vazias precisam de grandes argumentos para se tornarem no mínimo “tragáveis”, por isso vemos com frequência a desculpa de que um grande numismata dali e um grande numismata de lá verificaram a tal moeda e atestaram sobre sua autenticidade. Acontece que esse grande numismata não tem nome, não possui referencias, não sabemos quem são. A resposta é bem simples, eles não existem.

Envolveram recentemente duas sociedades numismáticas na história, ao qual foram rápidas em deixar claro que não estão envolvidas e que não deverão ser relacionadas nessas histórias.

O Sr. Antonio Tomaz, um dos fundadores da Sociedade Numismática Paranaense e também um estimado colega, nos contou, por si só, que um exemplar desta moeda foi levado em um encontro regional da citada Sociedade, que ela foi apresentada para alguns sócios e que ninguém deu a mínima importância para esta falsificação, que a mesma pessoa que a trouxe a levou embora, contou que não foram feitas ofertas e que souberam rápido se tratar de uma falsificação.

Levantaram a questão também de que tal falsificação teria sido analisada pela Sociedade Numismática Brasileira, ao qual também foi desmentido. Questionado sobre isso em seu Facebook, o Diretor Administrativo da SNB Bruno Pelizzari escreveu que “A entidade SNB não analisou a peça. Quem analisou foram membros. Logo a SNB não pode se responsabilizar pela opinião de seus membros.” Ou seja, a peça foi levada para um encontro da SNB e foi vista por associados nesse evento, não tendo assim nenhuma participação a entidade em si.

Também no Facebook o Sr. Gilberto Tenor, presidente da SNB escreveu que:

Prezados senhores, a Sociedade Numismática Brasileira e acho que nenhuma entidade numismática brasileira da certificação em nenhuma peça. As peças disponibilizadas através de nossas trocas indiretas especiais são analisadas por nossos técnicos e aí sim, damos a comprovação da autenticidade e em caso de não concordância dos nossos técnicos, a mesma não é disponibilizada aos associados.
Nenhum associado pode responder em nome da SNB, sendo que as suas opiniões são pessoais e não em nome da entidade.
Estamos sempre a disposição.
Ótima noite.

Confirmando assim que não houve nenhuma analise técnica de nenhuma Sociedade Numismática ou de nenhuma pessoa que seja reconhecida no meio numismático. Entendamos que não sou eu que darei o “título” de pessoa conhecida ou reconhecida no meio numismático, mas convenhamos que uma pessoa que não produz, que não mostra conhecimento, que simplesmente não mostra o seu currículo, não possui nenhuma credibilidade para dizer ou não sobre qualquer coisa, assim, não reconhecemos ainda ninguém que tenha atestado a favor da autenticidade dessa peça, pelo contrário, geralmente os que possuem respeito entre os estudiosos do ramo, são justamente os que dizem que são falsa.

V – Da possibilidade desta ser uma cunhagem não autorizada dentro da CMB

Trata-se, mecanicamente, de uma moeda impossível, como sabemos que temos muitos colecionadores novatos, incentivados pelo grande alarde causado pelas moedas olímpicas e que também temos muitos colecionadores que não são numismatas, vou tentar explicar da forma mais simples e vulgar possível.

No processo de cunhagem que é utilizado no Brasil existirá sempre o “cunho que bate” e o “cunho que é batido”, conhecido como “macho e fêmea”, mas na verdade deveria ser conhecido como “cunho fixo” e “cunho móvel”.

Os discos que se tornarão moedas entram totalmente lisos na virola onde estará preso o cunho fixo, quando o disco encosta no cunho fixo o cunho móvel cai por cima do disco liso, com uma pressão extremamente forte, a batida ou martelada, que o disco sofre o transforma em moeda, esse é o processo que fabrica cerca de 700 moedas por minuto.

Com essa informação você conseguirá entender que, se essa moeda tivesse entrada no processo de cunhagem regular teríamos centenas de moedas como essa rodando e não somente 10 ou 12, como foram encontrados e principalmente sabe que essa moeda não poderia ter sido cunhada naturalmente, uma vez que as gravuras feitas nos cunhos serão sempre as mesmas, não podendo ter assim um cunho macho e um cunho fêmea com o mesmo lado da moeda, aqui o cunho fixo é correspondente ao reverso.

Lançaram um boato no Facebook dizendo que antes de 2012 essa moeda era possível, uma vez que os cunhos eram iguais. Primeiro que não há informação oficial nenhuma sobre isso, até porque a casa da moeda trata esse assunto como segurança nacional. Segundo, alterar os moldes dos cunhos seria alterar todo o maquinário da casa da moeda e sabemos bem que ela não faria e nem teria verbas para fazer isso.

Existe um documentário do History Chanel sobre o processo de cunhagem americano, é o mesmo maquinário usado pela casa da moeda do Brasil, você aprenderá muito sobre ele se assistir.

VI – Fabricações similares

Não vou me estender muito nesse tópico, isso não é numismática. Contudo queria saber se vocês conhecem a “Moeda de Mágico”, em inglês é mais fácil encontrar sobre essas moedas, então caso queira busque por “magic coin”. São moedas criadas especialmente para enganar pessoas, geralmente são muito parecidas com as originais, tanto em material quanto no peso e no diâmetro.

Contudo elas são feitas com dois lados iguais, somente para brincadeiras. As melhores possuem três lados, aparenta ser uma moeda normal e com um movimento para cima, de forma imperceptível, um dos lados é virado, tornado assim uma moeda bifacial.

Um exemplar como esse não custa mais de 20 dólares, imaginamos assim que o seu custo de produção é bem pequeno, na verdade, qualquer falsificação não tem o custo muito grande. Você já viu como tem crescido o mercado de falsificações no Brasil?

VII – Supervalorização de uma peça falsa, como?

Outro assunto que também não vou me estender, simplesmente porque não consigo entender como alguém pode pagar R$4.000,00 por uma peça falsa. É claro que ele não sabia que era falsa, se ele soubesse não o compraria. Então essa pessoa esta mais errada ainda, afinal, se ela não conhece o produto esta investindo em algo que desconhece, e o risco de tal atitude é um prejuízo enorme como esse.

Recentemente usaram o argumento “Você só fala que é falso por que deseja ter uma e não tem”, bom, na verdade esse é só mais um dos argumentos vazios dos defensores da falsificação, uma vez que “agredir” alguém com palavras só serve para provar que não há argumentos técnicos que defendam a autenticidade da moeda.

Paro aqui pra pensar e principalmente para deixar aos colegas que se disporem a ler tudo isso a seguinte pergunta, que moeda você compraria com R$4.000,00? Eu com quatro mil reais compraria com certeza um Solidus de Ouro, uma moeda que nunca perderia o seu valor de mercado e que com certeza eu lucraria com ela.

E acreditem, estou sendo generoso quanto ao valor apresentado, pois houvemos anúncios no importe de R$13.000,00 para essa moeda, valores ao qual nem se ela fosse autêntica seria lucido pagar.



VIII – Conhecimento empírico não é achismo!

Após ler tudo isso então o que devemos concluir, caso ainda reste alguma dúvida. No decorrer desse texto apresentamos duas moedas, acho que vocês perceberam isso. As duas são falsas, contudo, a primeira é uma falsificação feita a partir de uma moeda original, onde foi cortado o “tampão” de uma moeda de 1 Real de 2008 e adicionada a outra moeda de 1 Real de 2008. Temos também a moeda de fabricação externa, a misteriosa moeda que após 10 anos de circulação continua em estado de conservação flor de cunho.

A primeira foi uma fabricação mais grotesca, um teste de mercado para saber qual seria a reação de ajuntadores desavisados, já a segunda é uma fabricação mais cuidadosa, onde, observado a lucratividade, foi investida um pouco mais de fundos.

Diga-nos com sinceridade, você está realmente por dentro das novidades do “mercado de falsificação”? Temos registros de falsificações de moedas que nem raras são, como moedas de cruzeiros, temos registros de falsificações de moedas do tipo Ensaio e First Strike, vocês realmente acham que, sob encomenda, eles não fariam tal peça?

É claro, que ainda teremos comentários do tipo “aquela moeda pode ser falsa, mas a minha não é” ou “a minha não foi analisada, como ele pode falar que é falsa”, comentários como esses são normais, são extremamente defensivos ou daqueles que não possuem nenhuma técnica e por isso realmente acreditam na autenticidade da moeda ou daqueles que caíram no conto do vigário e investiram algumas centenas de reais em um moeda que vale menos que uma moeda de chocolate.

Leiam com atenção esse texto, se você ainda não acredita nele então você precisará ler novamente. Moedas como essa continuarão sendo vendidas no nosso mercado numismático, infelizmente, muitos colecionadores não gostam de ler e outra, aqueles que compraram e agora descobriram que é falsa precisarão repassar o prejuízo, então fique atendo, o próximo lesado poderá ser você.

Ainda lhe resta alguma pergunta não respondida?




André Luiz Padilha

Graduado em direito com especialidade em meios alternativos de soluções de conflito e atualmente é estudante de História. Colecionador de moedas desde 1997 e numismata desde 2011. É um ativo divulgador da numismática nacional publicando diversos artigos e estudos por dezenas de plataformas, presta serviços como avaliador e consultor em pelo menos 9 países, também é o fundador da Numismática Castro, do CNERJ e do canal Café e Numismática. É sócio da American Numismatic Association (ANA)

8 comentários

Ivo Campos · 5 de fevereiro de 2018 às 23:31

Parabéns pelo texto, assim como o do amigo Rubens, foi bem esclarecedor e reflexivo. Infelizmente o mercado nacional é formado por comerciantes e ajustadores em sua maior parte, portanto, os que se dedicam a ler, entender e analisar tudo com muito cuidado, são poucos. Mas ainda bem que temos gente muito boa e conhecimento para quem se interessar.

    André Luiz Padilha · 16 de fevereiro de 2018 às 19:08

    Obrigado meu amigo!
    Trabalhamos para pessoas como você, que se interessam pelo estudo e se dedicam a numismática!

Wagner Meireles · 8 de fevereiro de 2018 às 10:13

A respeito do texto, ficaram algumas lacunas como, por exemplo, imagens da referida análise que determina a falsidade da moeda. Poderiam, estas imagens, serem disponibilizadas? Creio que, para efeito de esclarecimento, uma imagem valha mais que palavras apenas.
A parte do texto que põe em dúvida a existência de uma moeda cunhada em 2008 no estado flor de cunho ser “inviável” no meio circulante, se conflita com seguinte reflexão: se encontrar uma seria difícil, como então foram utilizadas duas na fraude sugerida pelo texto?
Tais esclarecimentos auxíliariam àqueles que ainda permanecem em dúvida.

    André Luiz Padilha · 8 de fevereiro de 2018 às 10:24

    Bom dia Wagner, o comentário mais frequente que ouvimos é “essa pode ser falsa, a minha não é”, seguido por “ele não analisou a minha, como pode dizer que é falsa”, por isso achamos melhor não colocarmos imagem alguma, assim não teríamos diferenças nas moedas já conhecidas. Sobre o estado de conservação, essa é justamente a questão, como, em sua maioria, as moedas encontradas, estão no estado flor de cunho mesmo com 10 anos de circulação? Já contabilizamos 11 moedas como essa, estão tentando rastrear esses exemplares para termos certeza que não é a mesma que foi vendida mais de uma vez e de onde estão partindo as primeiras histórias. De todas, apenas um podia ser visto melhor as marcas de corte e de lixas, as outras estão impecáveis, nem os riscos causados pelo atrito com outras moedas no sachê ela possui? Curioso não, essa moeda foi cunhada a 10 anos e nunca vimos algo parecido, agora um surto súbito de moedas como essas aparecem. São só falsificações inseridas no mercado de uma só vez.

Albuquerque · 8 de fevereiro de 2018 às 19:14

Texto perfeito. 100% concordo.

Arlei · 10 de fevereiro de 2018 às 22:33

Tenho uma dessa, como tenho costume de olhar os dois lados das moedas que pego, chegou até eu por acaso mesmo em fevereiro de 2015.

    André Luiz Padilha · 16 de fevereiro de 2018 às 19:06

    Essa seria o exemplar mais antigo conhecido, você poderia nos contar mais?
    Divida conosco como a encontrou, em qual estabelecimento, cidade e se puder mandar as fotos para o nosso e-mail de contato, agradecemos!
    contato@numismaticos.com.br

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