
Os serviços prestados por ele à Casa da Moeda do Brasil, onde foi nomeado professor em 1912, são dignos das maiores referências. Destaca-se, em particular, a série presidencial, composta por medalhas que apresentam, no anverso, a efígie dos presidentes da república e, no reverso, a fixação dos principais fatos governamentais. Essa série, de valor extraordinário, é considerada a mais completa do mundo nesse gênero e foi exposta junto com outros trabalhos no Museu Nacional de Belas Artes em novembro de 1946, quando Girardet tinha 91 anos.
Durante mais de 50 anos, período em que recebeu numerosos encargos e reconhecimento, Girardet registrou a história oficial do Brasil por meio de suas medalhas. Ele produziu, entre outras, peças para o Quarto Centenário da Descoberta do Brasil, em 1900 (São Paulo, Museu Paulista), e para a Exposição Nacional do Rio de Janeiro, em 1908, comemorando a abertura dos portos do Brasil ao comércio internacional. A essas seguiram-se medalhas para a visita do Rei Alberto I da Bélgica (1920), para o primeiro centenário da Independência do Brasil (1922), para a inauguração da grande estátua do Cristo Redentor no Corcovado, em 1931, e para o primeiro centenário do Colégio Dom Pedro II (1935). Ele ainda é o responsável pelas 14 medalhas da série presidencial do Brasil, desde a do primeiro presidente, Deodoro da Fonseca (1889), até a de Eurico Gaspar Dutra (1950). Uma série em bronze encontra-se no Museu Boncompagni de Artes Decorativas, em Roma. Além de suas produções brasileiras, também são notáveis suas obras destinadas à Itália.
Em 1901, Girardet executou um medalhão (21,5 cm de diâmetro) com o retrato de Giuseppe Verdi no anverso e uma representação alegórica das obras do compositor no reverso, doado à Casa de Repouso Verdi, em Milão. Atualmente, essa peça está no Museu Teatral Alla Scala (Sala Verdi). Em 1930, ele criou a medalha do casamento de Giovanna de Saboia com Bóris da Bulgária. Existe um catálogo intitulado “Exposição Retrospectiva de Augusto Girardet por seus discípulos e continuadores”, mas essa obra é bastante antiga e extremamente rara. Além disso, destaco meu trabalho favorito de Girardet: a medalha em homenagem a Pio X, que poderá ser apreciada na imagem a seguir.
Quando esse incrível artista faleceu em 1955, seu acervo pessoal, contendo peças originais e alguns de seus últimos trabalhos, foi cobiçado por dezenas de colecionadores nacionais e internacionais. No entanto, suas intenções foram frustradas quando a viúva, Sra. Judith, vendeu todo o acervo ao Patrimônio Histórico Nacional por 1 milhão de cruzeiros. Sua coleção foi posteriormente intitulada "Acervo do Patriarca da Gravura no Brasil".
Por fim, deixo um pedido: caso alguém possua o catálogo mencionado nesta matéria, peço a gentileza de escaneá-lo ou fotografá-lo para que possamos compartilhar com outros numismáticos no Brasil. Além disso, seria interessante traduzi-lo para o inglês e o espanhol, para que mais pessoas ao redor do mundo conheçam a obra de Girardet.
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