A invenção da moeda é um fenômeno que ainda hoje não pode ser afirmado com plena certeza, sem incorrer em pequenos erros ou omissões. Atribuir sua criação a uma única pessoa ou civilização seria impreciso, pois seu surgimento foi consequência de um longo processo de amadurecimento das transações comerciais entre pessoas e povos.
Uma das teorias mais conhecidas atribui à China o início da cunhagem das moedas tal como as conhecemos hoje. No período Chou (1122-256 a.C.), surgiram moedas de bronze em formas variadas, como peixes, chaves, facas, conchas e até mesmo enxadas (A contra-argumentarão para invalidar essa corrente acadêmica é que essas citadas moedas não serviam efetivamente como dinheiro, mas como uma espécie de vale, já que cada formato era exclusivo para o seu tipo de transação). Essas formas eram inspiradas nas mercadorias e objetos que possuíam valor de troca e traziam inscrições que indicavam a autoridade emitente e o seu valor. No final dessa dinastia, surgiu o ouro monetário (Yuanjun), cunhado na forma de pequenos lingotes com o sinete imperial. Foi também nesse período que apareceram as primeiras moedas redondas de bronze com um furo quadrado no centro, características que se perpetuaram por séculos no sistema monetário chinês.
O povo chinês é, sem dúvida, o criador do papel-moeda, que se consolidaria séculos mais tarde, durante a dinastia Tang (618-907 d.C.) e seria amplamente difundido na dinastia Song (960-1279 d.C.).
Na Grécia Antiga, desenvolveu-se outra tradição monetária. A partir do século VII a.C., começaram a ser cunhadas moedas decoradas com figuras de animais, plantas e objetos de uso cotidiano. Algumas das moedas mais conhecidas desse período eram aquelas representando a coruja, o Pégaso e a tartaruga.
As tartarugas foram as primeiras moedas gregas a serem cunhadas. Os exemplares mais antigos datam de aproximadamente 625 a.C. e, durante um século, foram as moedas mais valorizadas na região, representando a ilha de Egina, um importante empório comercial do Peloponeso. Essas moedas tinham um alto valor e eram mais apreciadas do que as corujas, pois valiam duas dracmas (sendo a dracma uma unidade de prata).
Os estateres, cunhados em Corinto, eram identificados pela figura do Pégaso e podiam ser de prata ou ouro. O estater era uma das mais altas unidades monetárias gregas.
As corujas, cunhadas em Atenas, tinham menor valor em comparação com as moedas de Egina e Corinto, valendo uma dracma ou um estater. Por volta de 545 a.C., Atenas cunhou a tetradracma, uma moeda esplêndida no valor de quatro dracmas, que permaneceu praticamente inalterada por quase dois séculos. Após a vitória ateniense sobre os persas na Batalha de Salamina (480 a.C.), foi introduzida a decadracma, moeda no valor de dez dracmas.
Outra importante corrente atribui a invenção da moeda aos reis da Lídia, na região da Anátolia. As primeiras moedas lídias eram pequenas e arredondadas, cunhadas em uma liga natural de ouro e prata conhecida como eletro. No anverso, traziam a imagem de uma cabeça de leão, enquanto o reverso exibia uma marca de garantia do emissor. O rei Creso (561-546 a.C.), um dos monarcas mais ricos da Antiguidade, foi pioneiro na cunhagem de moedas exclusivamente de ouro e de prata, estabelecendo um padrão monetário que influenciaria diversas civilizações posteriores. Com a conquista da Lídia pelos persas, o rei Dario I (550-486 a.C.) adotou o sistema monetário lídio e introduziu os dáricos, moedas de ouro que traziam no anverso a imagem do rei segurando um arco e um cetro, bem como os siclos de prata, ambos amplamente utilizados no vasto Império Persa.
A verdade é que não há consenso absoluto sobre qual civilização cunhou a primeira moeda. Cada região desenvolveu seu próprio sistema monetário de forma independente ou por influência de contatos comerciais e culturais. Assim, seguimos analisando as diversas vertentes conhecidas sobre essa fascinante história.
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